quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Turmas de Primeiro e segundo ano ( urgente)

 AS  Turmas de  literatura  - Aula normal  com devolução de  provas:

dia 17,

dia 24.


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

turmas de literatura de segunda feira

Provas finais do trimestre  dia dia 27/10

Recuperação  e 2 chamada  dia  10/ 11

turmas de literatura de quinta feira

Prova  final  trimestre dia 30/10

RECUPERAÇÃO  E 2 CHAMADA  DIA  13/ 11

Turmas de sexta Feira de literatura

As Turmas de  Literatura  de sexta  feira farão   Prova final do trimestre  no dia

24  /10.  ( OUTUBRO).
 14/11 ( novembro)   Farão  recuperação  e segunda  chamada. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

exercícios revisão para 1 ano

1 Explique  a relação  entre  as  culturas  que  formam  o povo carioca  e suas manifestações  artísticas.
2 Faça   uma pequena  biografia  sobre  um compositor  de samba  carioca de sua preferência. 
3- Explique  a diferença  entre samba,  samba de roda, samba enredo  , funk  e rap.
4-  Explique  a escrevivência de CONCEIÇÃO  Evaristo  e de Arlindo  Cruz através  de suas  obras. 
5- O que Simas  explica  sobre as sociabilidades  desenvolvidas  no Rio  de Janeiro. 
6_ 

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Para turmas do primeiro Ano

1) o que difere a prosa de ficção  e da poesia ( lírica) é a estrutura, a saber :  ritmo, rima,eu lírico, musicalidade ou melodia,imagem e alogicidade.  Defina cada um desses elementos:

2) Explique  com suas palavras  as relações  existentes  entre a. Música  e a poesia  trazendo exemplos:

3)  Escute ou leia is sambas, " Teste do samba" e  "A voz do  morro" e Explique a situação ( tema e enredo) per eles abordado fazendo uma análise  crítica.

4)  Faça  uma pequena  oesquisa  histórica  sobre a origem  do samba  enquanto  uma manifestação  artística  de uma cultura  de Diáspora  e Explique para seus amigos.

As questões  serão  vistoriadas    no caderno, e valerão  ponto PQ  na próxima  aula quando  será o teste.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

A história do samba por Simas

 

POD CAST

https://www.youtube.com/watch?v=Va9VAQ7qlxM 


https://www.youtube.com/watch?v=RP9h_D8Dc7s

https://www.youtube.com/watch?v=f0Yby0gouoQ   ( 15m)

https://www.youtube.com/watch?v=mtFLVLEEwyo


https://www.youtube.com/watch?v=IiKbhoO8oYU


https://www.youtube.com/watch?v=T1cON99PR9E 

 ( no Opera mundi 50m)

domingo, 14 de setembro de 2025

Link para o filme A hora da Estrela


 https://www.youtube.com/watch?v=9BMyi3r8f-o




O conto ( Matéria para o 1 e 2 ano)

Conto: o que é, características e tipos (com exemplos)


Márcia Fernandes 
Professora de Língua Portuguesa e Literatura

O conto é um texto curto em que um narrador conta uma história desenvolvida em torno de um enredo - uma situação que dá origem aos acontecimentos de uma narrativa.

Há poucos personagens e poucos locais, pois como a história é breve não é possível incluir vários lugares e personagens diferentes.

Há vários tipos de contos: realistas, populares, fantásticos, de terror, de humor, infantis, psicológicos, de fadas.

A estrutura desse gênero textual é composta por quatro partes: apresentação do enredo, desenvolvimento dos acontecimentos, momento de tensão - clímax, e solução - desfecho.

Alguns exemplos de contos escritos pelos maiores contistas brasileiros são:

  • A Cartomante, de Machado de Assis
  • O Gato Vaidoso, de Monteiro Lobato
  • Presépio, de Carlos Drummond de Andrade
  • Feliz Aniversário, de Clarice Lispector
  • A Caçada, de Lygia Fagundes Telles
  • Conto de Verão n.º 2: Bandeira Branca, de Luis Fernando Verissimo
  • O Vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan

Características do conto

O conto apresenta as seguintes características:

  • Espaço delimitado;
  • Tempo marcado;
  • Presença de narrador;
  • Poucos personagens;
  • Enredo.

Espaço delimitado: o local em que se desenvolve a história é delimitado, como uma determinada casa, rua, parque, praça. Isso acontece pelo fato de o conto ser uma narrativa breve, em que não é possível se falar em muitos espaços diferentes.

Tempo marcado: o tempo do conto é marcado. Isso quer dizer que é possível saber em que momento a história acontece. Esse tempo pode ser:

cronológico - quando as coisas acontecem numa sequência normal, de horas, dias, anos.

psicológico - quando as coisas não acontecem numa sequência normal, mas de acordo com a imaginação do narrador ou de um personagem.

Narrador: a história do conto é contada por um narrador, que pode ser:

  • narrador observador, aquele que conhece a história, mas não participa dela.
  • narrador personagem, aquele que além de narrar a história, também é um dos seus personagens.
  • narrador onisciente, aquele que conhece a história e todos os personagens envolvidos nela.

Personagens: o conto contém poucos personagens, porque como é um texto breve, não é possível incluir muitos participantes na história. Os personagens podem ser principais ou secundários.

Enredo: o conto apresenta sempre um enredo, que é um problema ou situação que dá origem aos acontecimentos de uma história. Ele pode ser:

linear - quando os fatos seguem uma sequência lógica, ou seja: apresentação, desenvolvimento, momento de tensão - clímax, e solução - desfecho.

não linear - quando os fatos não seguem uma sequência lógica, ou seja, em vez de começar pela apresentação do problema ou da situação, pode começar pela sua solução e os acontecimentos são narrados ao longo do conto.

Tipos de contos

Dependendo da temática explorada, há diversos tipos de contos, do qual se destacam:

  • Contos realistas, os que narram situações realistas e não imaginárias.
  • Contos populares, os que narram histórias transmitidas de uma geração para outra.
  • Contos fantásticos, aqueles em que as histórias apresentam mistura de realidade com ficção e confundem os leitores com acontecimentos absurdos.
  • Contos de terror, os que narram histórias cheias de mistérios, suspense e medo.
  • Contos de humor, os que narram histórias que têm como objetivo divertir os leitores.
  • Contos infantis, os que narram histórias para crianças e que têm a intenção de transmitir uma lição moral.
  • Contos psicológicos, os que narram histórias que envolvem lembranças e sentimentos, e têm a intenção de levar o leitor a refletir.
  • Contos de fadas, os que narram histórias que envolvem príncipes e princesas, e se desenvolvem em torno de um acontecimento trágico, mas que têm um final feliz.

Os minicontos, microcontos ou nanocontos são subcategorias do conto, chamados de "contos minimalistas".

Eles são bem menores que o conto, uma vez que podem ocupar meia página, uma página, ou ser formado por poucas linhas.

Mesmo que não compartilhem da estrutura básica dos contos, esse tipo de texto tem adquirido diversas formas na atualidade, sobretudo após o movimento modernista.

Dessa forma, ele deixa de lado a estrutura fixa narrativa, privilegiando assim, a liberdade criativa dos escritores.

Estrutura do conto

A estrutura do conto é fechada e objetiva, na medida em que esse tipo de texto é formado por apenas uma história e um conflito.

Sua estrutura está dividida em três partes:

  • Introdução: nesse momento inicial, há uma breve ambientação do espaço, tempo, personagens e enredo.
  • Desenvolvimento: aqui se desenrolam os acontecimentos da história, relacionados com o problema ou a situação apresentados na introdução.
  • Clímax: quando acontece o momento de maior tensão da história.
  • Desfecho: encerramento da narrativa, em que se apresenta uma solução para o enredo.

Exemplos de conto

Trecho do conto Missa do Galo, de Machado de Assis

NUNCA PUDE entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.

Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver “a missa do galo na Corte”. A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.

— Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.

— Leio, D. Inácia.

Tinha comigo um romance, Os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D'Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.

— Ainda não foi? perguntou ela.

— Não fui, parece que ainda não é meia-noite.

— Que paciência! (...)

Trecho do conto Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector

"Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra."

Texto  retirado  do  site: https://www.todamateria.com.br/conto/

Roteiro segundo ANO

 ROTEIRO DE TRABALHO - 2ª Série (2025) – Literatura Brasileira 2 – 3º. Trimestre Caro aluno, a proposta de trabalho da Equipe de Literatura estará sempre voltada para o exercício da leitura, interpretação e produção textual. Nosso eixo temático em 2025 É TECNOLOGIAS E ANCESTRALIDADES. Desse modo, os textos sugeridos para as leituras do Terceiro Trimestre irão girar em torno desse tema


Texto 1: A hora da estrela (trecho)


 Há poucos fatos a narrar e eu mesmo não sei ainda o que estou denunciando. Agora (explosão) em rapidíssimos traços desenharei a vida pregressa da moça até o momento de espelho do banheiro. Nascera inteiramente raquítica, herança do sertão – os maus antecedentes de que falei. Com dois anos de idade lhe haviam morrido os pais de febres ruins no sertão de Alagoas, lá onde o diabo perdera as botas. Muito depois fora para Maceió com a tia beata, única parenta sua no mundo. Uma outra vez se lembrava de coisa esquecida. Por exemplo a tia lhe dando cascudos no alto da cabeça porque o cocuruto de cabeça devia ser, imaginava a tia, um ponto vital. Dava-lhe sempre com os nós dos dedos na cabeça de ossos fracos por falta de cálcio. Batia mas não era somente porque ao bater gozava de grande prazer sensual – a tia que não se casara por nojo – é que também considerava de dever seu evitar que a menina viesse um dia a ser uma dessas moças que em Maceió ficavam nas ruas de cigarro aceso esperando homem. Embora a menina não tivesse dado mostras de no futuro a ser vagabunda de rua. Pois até mesmo o fato de vir a ser uma mulher não parecia pertencer à sua vocação. A mulherice só lhe nasceria tarde porque até no capim vagabundo há desejo de sol. As pancadas ela esquecia pois esperando-se um pouco a dor termina por passar. Mas o que doía mais era ser privada da sobremesa de todos os dias: goiabada com queijo, a única paixão na sua vida. Pois não era que esse castigo se tornara o predileto da tia sabida? A menina não perguntava por que era sempre castigada mas nem tudo se precisa saber e não saber fazia parte importante de sua vida. Esse não-saber pode parecer ruim mas não é tanto porque ela sabia muita coisa assim como ninguém ensina cachorro a abanar o rabo e nem a pessoa a sentir fome; nasce-se e fica-se logo sabendo. Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes. Quando era pequena tivera vontade intensa de criar um bicho. Mas a tia achava que ter um bicho era mais uma boca para comer. Então a menina inventou que só lhe cabia criar pulgas pois não merecia o amor de um cão. Do contato com a tia ficara-lhe a cabeça baixa. Mas a sua beatice não lhe pegara: morta a tia, ela nunca mais fora a uma igreja porque não sentia nada e as divindades lhe eram estranhas. Pois a vida é assim: aperta-se o botão e a vida acende. Só que ela não sabia qual era o botão de acender. Nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável. Mas uma coisa descobriu inquieta: já não sabia mais ter tido pai e mãe, tinha esquecido o sabor. E, se pensava melhor, dir-se-ia que havia brotado da terra do sertão em cogumelo logo mofado. Ela falava, sim, mas era extremamente muda. Uma palavra dela eu às vezes c s consigo mas ela me foge por entre os dedos. Apesar da morte da tia, tinha certeza de que com ela ia ser diferente, pois nunca ia morrer. (É paixão minha ser o outro. No caso a outra. Estremeço esquálido igual a ela). O definível está me cansando um pouco. Prefiro a verdade que há no prenúncio. Quando eu me livrar dessa história, voltarei ao domínio mais irresponsável de apenas ter leves prenúncios. Eu não inventei essa moça. Ela forçou de dentro de mim a sua exigência. Ela não era nem de longe débil mental, era à mercê e crente como uma idiota. A moça que pelo menos comida não mendigava, havia toda uma subclasse de gente mais perdida e com fome. Só eu a amo. Depois – ignora-se por quê – tinham vindo para o Rio, o inacreditável Rio de Janeiro, a tia lhe arranjara emprego, finalmente morrera e ela, agora sozinha, morava numa vaga de quarto compartilhado com mais quatro moças balconistas das Lojas Americanas. O quarto ficava num velho sobrado colonial da áspera rua do Acre entre as prostitutas que serviam a marinheiros, depósitos de carvão e de cimento em pó, não longe do cais do porto. O cais imundo dava-lhe saudade do futuro. (O que é que há? Pois estou como que ouvindo acordes de piano alegre – será isto o símbolo de que a vida da moça iria ter um futuro esplendoroso? Estou contente com essa possibilidade e farei tudo para que esta se torne real). Rua do Acre. Mas que lugar. Os gordos ratos da rua do Acre. Lá é que não piso pois tenho horror sem nenhuma vergonha do pardo pedaço da vida imunda. Uma vez por outra tinha a sorte de ouvir de madrugada um galo cantar a vida e ela se lembrava nostálgica do sertão. Onde caberia um galo a cocoricar naquelas paragens ressequidas de artigos por atacado de exportação e importação? (Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é superfulo para quem tem uma leve fome permanente. Faço aqui o papel de vossa válvula de escape e da vida massacrante da média burguesia. Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta. Embora a moça anônima da história seja tão antiga que podia ser uma figura bíblica. Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim). Dos verões sufocantes da abafada rua do Acre ela só sentia o o suor, um suor que cheirava mal. Esse suor me parece de má origem. Não sei se estava tuberculosa, acho que não. No escuro da noite um homem assobiando e passos pesados, o uivo do vira-lata abandonado. Enquanto isso – as constelações silenciosas e o espaço que é tempo que nada tem a ver com ela e conosco. Pois assim se passavam os dias. O cantar de galo na aurora sanguinolenta dava um sentido fresco à sua vida murcha. Havia de madrugada uma passarinhada buliçosa na rua do Acre: é que a vida brotava no chão, alegre por entre pedras. Rua do Acre para morar, rua do Lavradio para trabalhar, cais do porto para ir espiar no domingo, um ou outro prolongado apito de navio cargueiro que não se sabe por que dava aperto no coração, um ou outro delicioso embora um pouco doloroso cantar de galo. Era do nunca que vinha o galo. Vinha do infinito até a sua cama, dando-lhe gratidão. Sono superficial porque estava há quase um ano resfriada. Tinha acesso de tosse seca de madrugada: abafava-a com o travesseiro ralo. Mas as companheiras do quarto – Maria da Penha, Maria Aparecida, Maria José e Maria apenas – não se incomodavam. Estavam cansadas demais pelo trabalho que nem por ser anônimo era menos árduo. Uma vendia pó-de-arroz Coty, mas que ideia. Elas viravam para o outro lado e readormeciam. A tosse da outra até que as embalava em sono mais profundo. O céu é para baixo ou para cima? Pensava a nordestina. Deitada, não sabia. Às vezes antes de dormir sentia fome e ficava meio alucinada pensando em coxa de vaca. O remédio então era mastigar papel bem mastigadinho e engolir. 

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977. p. 28-31.

Novo Roteiro Primeiro ANO

 ROTEIRO DE TRABALHO - 1ª Série (2025) – Literatura Brasileira 1 – 3º. Trimestre Caro aluno, a proposta de trabalho da Equipe de Literatura estará sempre voltada para o exercício da leitura, interpretação e produção textual. Nosso eixo temático em 2025 é TECNOLOGIAS E ANCESTRALIDADES.. Desse modo, os textos sugeridos para as leituras do Terceiro Trimestre irão girar em torno desse tema.


Texto 1: A formatura 


Mal dobrou a esquina e José já estava achando um clima esquisito. Parou em frente ao velho conhecido portão de ferro, abriu-o devagarinho e entrou. A casa estava no mais absoluto silêncio, formando um conjunto sombrio com a rua também vazia. Não estava acostumado a tanto nada nos ouvidos naquele território tão conhecido desde o berço. Não tinha recordação de um momento assim em sua vida naquele endereço: esvaziado de gente, de alma e, principalmente de sons. A cabeça humana é bem esquisita – pensou – , passamos um tempão desejando coisas e quando finalmente acontecem, vemos que não é nada daquilo. Desde o ensino fundamental até o fim da universidade queria ardentemente um momento como aquele, ou seja, um instante de paz para estudar ou simplesmente pensar em nada, mas ali dentro era uma gritaria tamanha, um entra e sai galopante e uma eterna casa cheia que o enlouquecia. Ele, o “diferente”, o quietinho do bando de louco da casa do seu Antenor, se incomodava com tanta agitação. José deu alguns passos no pequeno jardim da entrada, mas estancou diante do banco de pedra entre a roseira e um dendezeiro. Viu na memória o avo agachado para cuidar da terra e contando a ele, ainda bem pequeno, como sua bisavó cuidara de todas as plantas do terreno até quase o dia em que foi para o outro mundo. Lembrou também de quando passou no vestibular para cursar a tão sonhada, por ele e por todos, universidade. Recordou o idoso tranquilo, que mais ouvia do que falava, que carregava certa doçura no modo de olhar e que jamais ele ouvira falando do alheio. Ainda ecoava em seus ouvidos a última conversa que tiveram antes do seu embarque. O abraço terno naquele mesmo banco próximo ao portão de ferro e a advertência, no timbre manso do avô, para que jamais se esquecesse de quem era, mas... afinal, quem ele era mesmo? Sentou-se no banco frio, sem o calor do pai de sua mãe, que partiu para sempre em seus primeiros meses de universitário. Não deu tempo de voltar para sentar mais uma vez ao lado dele e do dendezeiro. Sentiu os olhos arderem com alguma lágrima brincando na borda e querendo rolar pela face. Ele, agora o primeiro diplomado da família inteira, o bacharel tão sonhado e letrado, estava sucumbindo às imagens do passado ao qual se achava imune porque, a verdade precisava ser encarada, sentiu até certo alivio quando partiu para estudar fora. Levantou-se e seguiu pela porta principal: “Ora, ora... mas onde estariam todos e... Ai!”. Gemeu de dor. Por conta do ambiente na penumbra, acabara de dar uma topada no pé da mesa da avó Otília. Não sabia se xingava ou se sorria, pois, se no banco de pedra podia ver o avô, na mesa de madeira pesada da sala podia “cheirar s a avó”. Era uma variedade de pratos que ninguém fazia igual e era também insaciável a gula dos irmãos, dos primos, da gurizada da vizinhança com as comidas da matriarca. Dona Otília seguia a cartilha de seu Antenor, ou melhor, ele era quem seguia a dela, porque a mulher era durona, não admitia intriga, fofoca, falação A vizinha, dona Clotilde, bem que tentava, mas a velha estancava a Candinha só com o olhar. (...) Evitava levar os novos amigos de classe média feitos na universidade para casa da família. O peito apertou, pois sentiu vergonha da vergonha que um dia sentiu. Rumou quase correndo para o quintal! Queria voltar no tempo e ver a jaqueira e o abacateiro e ouvir a audição da recordação das brigas das tias e das primas, o samba rasgado no final de semana, queira escutar os pais e os irmãos, os amigos e amigas de infância, a primeira namorada, o choro com o remédio que ardia no cotovelo ralado, o batuque, o cavaquinho, o tamborim, o dendê e a galinha preta... Mas a casa estava completamente vazia! Como podia ser aquilo se ele via, cheirava, sentia o gosto e ouvia tudo tão vivamente? O último dos sentidos José só experimentou quando desceu a pequena escada que ligava a cozinha ao quintal. Foi uma explosão de instrumentos, vozes e ritmos, afinal, não é todo dia que volta para casa um doutor José! Estavam todos lá, esperando pelo primeiro dos seus com “o canudo”. A família, os vizinhos, os conhecidos. Beijos estalados, abraços apertados, tapinhas nas costas de uma pequena multidão. O tio Tonico improvisou um discurso com aquela voz pastosa de quem já havia esvaziado algumas garrafas, saudando-o como uma sumidade do pedaço. José mirou a jaqueira. Por um momento pensou ter visto seu Antenor e dona Otília. Contradisse o tio. – Bamba... bamba são os da minha casa! E a comemoração da formatura foi até o dia clarear, num tal de todo mundo beber e de todo mundo sambar. Eliana Alves Cruz. A vestida. Rio de Janeiro: Malê, 2022. 



quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Todos os alunos em recuperação em literatura. ATENÇÃO

 

Alunos em   recuperação em  Literatura:

Provas nos dias  1, 4 e 5.

Turmas do 2 ano:

2251: 1,4,10,11,13,14, 20,22.

2111: 2,4,6,7,8,12,13,14,15,16,17,18,19,20,21,24.

2141: 4,5,10,16,17,19,21,24.

 

Turmas do 1 ano:

1251: 3,6,9,12,13,18,20,26,31,34.

1201:6,7,13,25.

1211:1,4,6,9,11,12,14,17,19,20,21,23,24,26

 

1152:1,2,3,5,12,13,15,17,20,29,36.

1142:4,7,15,19,29.

1151:6,8,9,16,18,21,24,33.

1141:8,15,16.

1122: 4,7,9,12,16,20,21,23,25,28,32,33,37,38.

 1121: 8,22,28,32,34.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Apenas turma da oficina com UFRJ-

 Exercício para  ser  feito para a  oficina dia 11\08\25 - Vale ponto PQ  


Vocês devem imaginar que a herança de vocês, da entrevista, também está ameaçada ou em perigo. Utilizando a entrevista e as frases recolhidas no falatório (oficina realizada no dia 16 de junho), escrevam um texto endereçado a alguém que vocês esperam que preserve essa herança. Esse destinatário pode ser uma pessoa que vocês conhecem, alguém inventado, um lugar, uma geração, um grupo específico de pessoas, uma coisa etc. A voz que falar no texto, que contará a história dessa herança, poderá ser uma espécie de personagem, ou seja, uma pessoa que vocês conhecem, alguém inventado, um lugar, uma geração, um grupo específico de pessoas, uma coisa etc. Por isso, usem à vontade as frases recolhidas no falatório. Podem adaptá-las para o contexto de vocês. Agora, é o momento de usar a imaginação e inventar!

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Questões do ENEM para segundo ano

Retiradas do  site 



https://www.aprovaconcursos.com.br/questoes-de-concurso/questoes/disciplina/literatura-enem/assunto/literatura-contemporanea

MAPA MENTAL - 1 ANO

 







domingo, 3 de agosto de 2025

Questões possíveis sobre Frankestein. Turmas do 1º ANO ( Segundo trimestre)

 Questões:

1-  A partir da leitura do Frankestein identifique em cada parte os tipos de narrador.

2- Elenque os  espaços por onde o monstro transita em sua jornada:

3- Qual a primeira  vítima do monstro e  onde ocorre a morte?

4- Onde se passa a Lua de mel de Victor e o que ocorre e  por que?

5- Que tipo de  sentimentos podem ser identificados no monstro? Explique-os com riqueza de  detalhes e diga se você já os sentiu:

6- O que ocorre no final do livro com os personagens principais?

7- Identifique as  características românticas presentes no texto:  E  diga a  importância desse  movimento na literatura mundial: 

8- Que  tipos de  sentimentos envolvem o monstro e a família  francesa?








    

Turmas:1141,1201,1251,1121,2141, 2111.

 Os alunos dessas  turmas farão  seus trabalhos orais com  PPT nesta  semana. Essa  nota  será  somada a  prova, que será   ainda  este  mês realizada.  

segunda-feira, 14 de julho de 2025

o tempo


https://www.facebook.com/reel/732341736322762/?s=single_unit&__cft__[0]=AZWzZjsrkNZJnEhtsbfKwB-CF6Yo9uk3OmHlq5n0mqAuwROuNTLl2ZNnRA1_qugy_nh-NcU81XM9-Yt3ewkKlLIjcCI8jmm_xG8nV-wrNlwtWgSIoRn0UYrkCWlBx6hj0vyP87zid9oPddUpBvjBoxceV025il7dyUIQDdLGqSoc-A&__tn__=H-R

terça-feira, 8 de julho de 2025

Turmas do Segundo ano

https://youtube.com/watch?v=FICS4T2kNWs&si=sWeR8zh6Kskiiox1

A questão da escravidão.

domingo, 29 de junho de 2025

LITERATURA turmas :1121,1122,1141,1142,1151,1152,1201,1211,1251

 Contexto histórico  do Romance Frankenstein


NA EUROPA

*Revolução Francesa (1789-1799). A partir dela, a burguesia passou a ter grande poder político e a aristocracia entrou em decadência. Dessa forma, a estética romântica é também burguesa, pois reflete os ideais e costumes dessa classe social.

O lema dessa revolução era “Liberdade, igualdade, fraternidade”. E inspirou os artistas românticos, principalmente no que diz respeito à liberdade. Os artistas passaram a enaltecer a liberdade de pensamento, de comportamento e, inclusive, a liberdade de amar. Isso, no entanto, ia de encontro ao conservadorismo burguês.


Nos primeiros anos do século XIX, Napoleão Bonaparte (1769-1821) empreendeu grande esforço para expandir o império francês. Em países como a Alemanha, as invasões napoleônicas acabaram despertando o sentimento de nacionalidade, uma das principais características do romantismo em sua origem."


NO BRASIL

Contexto histórico no Brasil

A Independência do país, aconteceu em 7 de setembro de 1822. Esse momento representou grandes mudanças sociais, culturais e econômicas para o Brasil.

O país tentava se organizar e consolidar seu poder, depois de cerca de 300 anos de colonização portuguesa. Esse processo de transição e mudanças começou um pouco antes de independência, em 1808, com a vinda da família real portuguesa.

Quando chegou ao país fugindo das invasões napoleônicas na Europa, o príncipe regente, Dom João, declarou a abertura dos portos às nações amigas, o que resultou na expansão da comercialização e diversificação do comércio. Outro fator importante foi a transferência da capital do país, que antes era Salvador, e passou a ser o Rio de Janeiro.

Esse processo foi crucial para alavancar a modernização da cidade, resultando na construção de diversos edifícios públicos como o Museu Nacional, a Biblioteca Nacional e o Real Teatro São João. Nesse momento, também foi criada a imprensa régia e algumas instituições como o Banco do Brasil e a Real Academia Militar.

Todos esses fatores foram essenciais para acelerar o processo de Independência do Brasil, declarada em 7 de setembro de 1822 por Dom Pedro I.


Fontes: https://www.todamateria.com.br/romantismo-no-brasil/




sexta-feira, 27 de junho de 2025

terça-feira, 24 de junho de 2025

pdf Crime no cais do Valongo"

https://www.scribd.com/document/615314128/O-Crime-Do-Cais-Do-Valongo-Eliana-Alves-Cruz

segunda-feira, 23 de junho de 2025

turmas: 2111,2141,2251

Utilizaremos o roteiro de literatura para o 2 trimestre.

Leitura obrigatória texto Machado de Assis. "Pai contra Mãe"

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000245.pdf

Acima o link para Leitura para a próxima aula.