terça-feira, 25 de outubro de 2022

EXERCÍCIO PARA RECUPERAÇÃO DO 2 ANO

1-QUANDO OCORRE O ROMANTISMO NO BRASIL? EXPLIQUE SEU CONTEXTO HISTÓRICO E A IMPORTÂNCIA DESSE ESTILO PARA A LITERATURA BRASILEIRA. 2- QUAIS OS PRINCIPAIS AUTORES ROMÂNTICOS DO BRASIL E QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS DESSE MOVIMENTO? CITE EXEMPLO DE POEMAS DA 1 E 2 GERAÇÃO ROMÂNTICAS: 3- TERMINANDO O ROMANTISMO QUAL ESTILO DE ÉPOCA VEMOS SE DESENVOLVER NO BRASIL? EXPLIQUE SUAS CARACTERÍSTICAS E AUTORES. 4- NO REALISMO,MACHADO DE ASSIS , FOI O GRANDE NOME DA PROSA. QUEM FOI, E QUAL A IMPORTÂNCIA DELE PARA A LITERATURA BRASILEIRA. 5- NA POESIA TEMOS NO FINAL DO SÉCULO O SIMBOLISMO E PARNASIANISMO, EXPLIQUE AS CARACTERÍSTICAS DE CADA UM DESSES ESTILOS, E SEUS AUTORES. 6- JÁ NO FINAL DO SÉCULO XIX, A INFLUÊNCIA VANGUARDAS EUROPEIAS FOI FUNDAMENTAL E GEROU A SEMANA DE 22. EXPLIQUE ESSA QUESTÃO E O QUE FOI A SEMANA DE 22. 7- O QUE ERA PAUTADO NO PROJETO MODERNISTA PARA AS ARTES, ESPECIALMENTE A LITERATURA DO BRASIL. 8- QUAIS AS FASES DO MODERNISMO BRASILEIRO? 9 CITE NOMES DE AUTORES MODERNISTAS DA 2ª E 3ª GERAÇÃO E EXPLIQUE SUAS CRIAÇÕES POÉTICAS. 10- BUSQUE UM POEMA DA LITERATURA MODERNISTA COPIE E DESENVOLVA UMA LEITURA SOBRE ELE.

EXERCÍCIO PARA PROVA DE RECUPERAÇÃO 1 ANO

BR LEIA O TEXTO DA PROVA, SEU LIVRO E SEU CADERNO E RESPONDA: 1- QUAL É O CONCEITO DE LITERATURA VISTO EM SALA DE AULA? 2- EXPLIQUE OS GÊNEROS LITERÁRIOS( LÍRICO, ÉPICO, DRAMáTICO) E CITE EXEMPLOS DE TEXTOS DESSES GÊNEROS: 3- O QUE VOCÊ ENTENDE COMO ESTILO DE ÉPOCA? 4-QUANDO SE INICIA A LITERATURA A LITERATURA NO BRASIL E QUAIS OS ESTILOS ESTUDADOS POR VOCÊ EM SALA? 5- lITERATURA INFORMATIVA E LITERATURA JESUÍTICA, EXPLIQUE CADA UMA DELAS. 6-PADRE JOSÉ DE ANCHIETA E PADRE ANTONIO VIEIRA SÃO 2 ESCRITORES, A QUAL ESTILO DE ÉPOCA CADA UM PERTENCE? DÊ AS CARACTERÍSTICAS DE CADA ESTILO. 7- GREGÓRIO DE MATOS, QUEM FOI, QUANDO VIVEU E A QUE ESTILO DE ÉPOCA PERTENCE? CITE UM POEMA. 8- QUANDO OCORRE A MUDANÇA DA CAPITAL DA BAHIA PARA O RIO DE JANEIRO? POR QUE ISSO OCORRE? QUE ESTILO DE ÉPOCA OCORRE NESSE PERÍODO E QUEM SÃO OS PRINCIPAIS AUTORES E COMO ERA A LITERATURA DESSE PERÍODO? 9- QUANDO OCORRE O ROMANTISMO NO BRASIL? EXPLIQUE SEU CONTEXTO HISTÓRICO E A IMPORTÂNCIA DESSE ESTILO PARA A LITERATURA BRASILEIRA. 10- QUAIS OS PRINCIPAIS AUTORES ROMÂNTICOS DO BRASIL E QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS DESSE MOVIMENTO? CITE EXEMPLO DE POEMAS DA 1 E 2 GERAÇÃO ROMÂNTICAS:

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Material sobre MODERNISMO com as questões para prova

https://www.todamateria.com.br/primeira-geracao-modernista/ https://www.todamateria.com.br/segunda-geracao-modernista/ https://www.todamateria.com.br/terceira-geracao-modernista 2 ) Quem surge na segunda geração do modernismo do Brasil ? ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3 ) Com o que o Modernismo rompe quando surge? E qual foi o evento em que isso ficou evidente?---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 4) Vimos ao longo do curso o Romantismo, como era a sua relação com a questão da independencia do Brasil? E o que exalta o Modernismo? ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 5) Qual o projeto Modernista e suas ideias em cada uma de suas fases? --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Questões de Revisão para prova - Primeiro Ano

Questões de Revisão para prova - Primeiro Ano: 1 - Explique o Gênero Épico e suas caraterísticas:----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2_ Explique o Gênero dramático e suas caraterísticas:-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3-Qual o conceito de Literatura?------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 4-Quais as gerações românticas, explique cada uma:-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 5- Onde encontramos a linguagem literária? E a não literária?---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6_ Quais os principais nomes da Semana de arte moderna de 1922? E o que ela foi?------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 7- Quais as características que são comuns ao Romantismo da Europa e do Brasil, enumere as diferenças e semelhanças:-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8-Qual o grande escultor brasileiro em Minas Gerais no período do Arcadismo que ainda representava o modelo Barroco. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9-Explique o Gênero Lírico e sua diferença para o narrativo:---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 10- Defina o que é Estilo de época? E explique o Barroco e o arcadismo e quando eles ocorreram no Brasil? -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

terça-feira, 13 de setembro de 2022

O Romantismo - matéria 3 etapa para 1º ANO ETER

O Romantismo foi um movimento artístico que surgiu na Europa no final do século XVIII. Enquanto movimento literário, o Romantismo privilegiava a emoção e a imaginação, em oposição à razão e às regras. Havendo a valorização do eu, os autores românticos escreviam sobre seus sentimentos e estados de alma. O marco inicial do Romantismo na Europa ocorre com a publicação do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, em 1774, do autor alemão Goethe. Características do Romantismo O Romantismo veio romper com as barreiras do movimento artístico e literário anterior - o Arcadismo - que buscava reavivar a cultura greco-latina e tinha como características o racionalismo, o universalismo, o objetivismo e o bucolismo. Assim, as características do Romantismo são: Sentimentalismo Os escritores românticos se focavam muito em emoções e sentimentos, desprezando a razão. Imaginação Visando se distanciar do modelo objetivista, racional e técnico do movimento literário anterior, para os escritores românticos era muito importante imaginar e ser criativo. Para tal, usavam frequentemente o verso livre ou o verso branco nas suas poesias. Individualismo O pensar sobre si mesmo (pensar para dentro) indica o forte individualismo e egocentrismo dos autores românticos. Nacionalismo Um forte sentimento nacionalista imperava nesse período histórico. Os autores escreviam suas obras motivados pelo ideal nacionalista de delinear uma literatura verdadeiramente brasileira, com a valorização da sua cultura popular. Herói romântico Os ideais românticos são personificados na figura do herói. No Brasil, esse herói romântico é o índio, que conhece, defende e vive em perfeita comunhão com a natureza. Culto da natureza Os autores românticos buscavam exaltar a perfeição da natureza verdadeira. Diferente do movimento literário anterior, no qual a natureza era vista como pano de fundo para o amor. Exaltação da mulher Os escritores idealizavam a mulher romântica como sendo perfeita, pura e angelical. Contexto histórico do Romantismo O Romantismo surgiu num contexto histórico de insatisfação e descontentamento do povo, com consequente luta por novos ideais. Por toda a Europa e pelas colônias, houve a difusão dos ideais iluministas e a instituição dos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, decorrentes da Revolução Francesa. Após a Independência dos Estados Unidos e com a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808, iniciou-se também o processo de desenvolvimento e independência do nosso país, que ocorreu em 1822. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, proporcionou a industrialização dos processos e dos grandes centros. Isso permitiu a reestruturação das classes sociais, com consequente ascensão da burguesia, e o desenvolvimento da tipografia, que permitiu a realização de impressões de jornais e romances em maiores quantidades. Romantismo no Brasil A produção romântica no Brasil foi rica e diversificada. Com a criação da Imprensa Régia e a fundação de bibliotecas públicas, a imprensa brasileira ganhou impulso e surgiu na sociedade um forte desejo de estabelecer uma identidade nacional literária própria para o país. No Brasil, a primeira manifestação do Romantismo ocorreu na primeira metade do século XIX, com a publicação da obra Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães, em 1836. A voz da minha alma Quando da noite o véu caliginoso Do mundo me separa, E da terra os limites encobrindo, Vagar deixa minha alma no infinito, Como um subtil vapor no aéreo espaço, Uma angélica voz misteriosa Em torno de mim soa, Como o som de uma frauta harmoniosa, Que em sagradas abóbadas reboa. (Gonçalves de Magalhães, Suspiros Poéticos e Saudades) Gerações do Romantismo no Brasil No Brasil, a produção literária dos autores românticos está dividida em três gerações. Primeira geração do Romantismo - Indianismo Decorrida entre 1836 e 1852, a primeira geração do Romantismo no Brasil ficou conhecida como a geração indianista, que exaltava o índio como o herói nacional do país e a geração nacionalista, que visava a construção de uma identidade nacional para o Brasil. Características da primeira geração romântica Construção de uma identidade nacional; Nacionalismo e anticolonialismo; Regionalismo e cultura popular; Figura do índio como herói nacional; Crítica aos modelos clássicos; Presença da religiosidade. Autores e obras da primeira geração romântica Autores Obras Gonçalves de Magalhães Suspiros Poéticos e Saudades (1836) Confederação dos Tamoios (1856) Gonçalves Dias Canção do Exílio (1843) I-Juca-Pirama (1851) Manuel de Araújo Porto-Alegre Brasilianas (1863) Colombo (1866) José de Alencar O Guarani (1857) Iracema (1865) Ubirajara (1874) Joaquim Manoel de Macedo Moreninha (1844) O Moço Louro (1845) Os Dois Amores (1848) Manuel Antônio de Almeida Memórias de um Sargento de Milícias (1952) Canção do Exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. […] (Gonçalves Dias) Iracema “Iracema parou em face do jovem guerreiro: — E a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro? Martim pousou brandos olhos na face da virgem: — Não, filha de Araquém: tua presença alegra, como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração pressago.” (José de Alencar) Segunda geração do Romantismo - Ultrarromantismo Decorrida entre 1853 e 1869, a segunda geração do Romantismo no Brasil ficou conhecida como a geração do mal do século, marcada pelo pessimismo e pelo sofrimento decorrentes da tuberculose. Ficou também conhecida como a geração ultrarromântica, por acentuar os ideais românticos de sentimentalismo, ou a geração byroniana, por se inspirar no escritor britânico Lord Byron. Características da segunda geração romântica Egocentrismo e individualismo; Subjetivismo e sentimentalismo; Saudade e nostalgia; Sofrimento por amor; Tédio e à fuga da realidade; Negativismo e desilusão; Morte e melancolia. Autores e obras da segunda geração romântica Autores Obras Álvares de Azevedo Poesias (1853) Lira dos Vinte Anos (1853) Noite na Taverna (1855) Casimiro de Abreu Meus Oito Anos (1857) As Primaveras (1859) Fagundes Varela Noturnas (1861) Cântico do Calvário (1863) Junqueira Freire Inspirações do Claustro (1855) Contradições Poéticas (1855) Meus Oito Anos Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida, Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! […] (Casimiro de Abreu) Se Eu Morresse Amanhã Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã, Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! […] (Álvares de Azevedo) Terceira geração do Romantismo - Condoreirismo Decorrida entre 1870 e 1880, a terceira geração do Romantismo no Brasil ficou conhecida como a geração condoreira, por inspiração na ave de rapina sul-americana condor, que representa a liberdade. Ficou também conhecida como a geração hugoana, inspirada no escritor francês Victor Hugo. Características da terceira geração romântica Construção de uma poesia social; Foco nos problemas políticos e sociais; Luta pela abolição da escravatura; Oposição à escravidão e à opressão; Defesa de um governo republicano; Ideais de justiça, igualdade e liberdade; Erotismo, pecado e negação do amor platônico. Autores e obras da terceira geração romântica Autores Obras Castro Alves O Navio Negreiro (1869) Espumas Flutuantes (1870) Os Escravos (1883) Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade) O Guesa (1871) Harpas Selvagens (1857) Joaquim Nabuco de Araújo O Abolicionismo (1883) Escravos (1886) O Navio Negreiro [...] Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto!... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares! (Castro Alves) Fim do Romantismo no Brasil O fim do Romantismo no Brasil teve como marco a publicação do romance realista Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, em 1881. 

Autora : Flávia NevesProfessora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia. VEJA TAMBÉM Modernismo no Brasil: as três fases do movimento modernista Literatura de cordel Poesia marginal Gêneros literários: tipos e características

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Material para a 3 etapa de 1 ano.

Tipos textuais Os tipos textuais, ou tipologia textual, apresentam propriedades linguísticas intrínsecas nas quais se apoiam os diversos gêneros. Os tipos textuais são: narração, descrição, dissertação, exposição e injunção. Os diversos gêneros apoiam-se na tipologia textual Chamamos de tipos textuais o conjunto de enunciados organizados em uma estrutura bem definida, facilmente reconhecida por suas características preponderantes. Podem variar entre cinco e nove tipos, sendo que os mais estudados são a narração, a argumentação, a descrição, a injunção e a exposição. A tipologia textual, diferentemente do que acontece com os gêneros textuais, apresenta propriedades linguísticas intrínsecas, como o vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais e outras características que definem os gêneros. Estes, por sua vez, surgem do dinamismo das relações sociocomunicativas e da necessidade dos falantes em um dado contexto cultural, enquanto os tipos já estão definidos, prontos para receberem os diversos gêneros em sua estrutura. Observe a definição de cada um dos tipos e seus exemplos. Bons estudos! Narração: A principal característica de uma narração é contar uma história, ficcional ou não, geralmente contextualizada em um tempo e espaço, nos quais transitam personagens. Os gêneros que se apropriam da estrutura narrativa são: contos, crônicas, fábulas, romance, biografias etc. “[...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez [...]”. (Fragmento do conto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector). Dissertação: O texto dissertativo-argumentativo é um texto opinativo, cujas ideias são desenvolvidas através de estratégias argumentativas que têm por finalidade convencer o interlocutor. Os gêneros que se apropriam da estrutura dissertativa são: ensaio, carta argumentativa, dissertação-argumentativa, editorial etc. “[...] A súbita louvação do nosso Judiciário serve para encobrir a verdade factual, a começar pelo emprego de pesos e medidas opostos no julgamento dos mais diversos gêneros de corrupção política. Até o mundo mineral sabe desta singular situação, pela qual a casa-grande goza da leniência da Justiça, em todos os níveis de atividade [...]” . (Fragmento de um editorial publicado na revista Carta Capital). Exposição: Tem por finalidade apresentar informações sobre um objeto ou fato específico, enumerando suas características através de uma linguagem clara e concisa. Os gêneros que se apropriam da estrutura expositiva são: reportagem, resumo, fichamento, artigo científico, seminário etc. “[...] Em Poá, região metropolitana de São Paulo, quatro mulheres desenvolvem a difícil e honrosa missão de comandar, cada uma, uma casa com nove crianças. Chamadas de mães-sociais, elas são cuidadoras permanentes de crianças que foram destituídas de seus lares por causa de maus-tratos, abuso ou falta de cuidados [...]”. (Fragmento de uma reportagem publicada na revista Carta Capital). Injunção: Os textos injuntivos têm por finalidade instruir o interlocutor, utilizando verbos no imperativo para atingir seu intuito. Os gêneros que se apropriam da estrutura injuntiva são: manual de instruções, receitas culinárias, bulas, regulamentos, editais etc. “[...] Não instale nem use o computador em locais muito quentes, frios, empoeirados, úmidos ou que estejam sujeitos a vibrações. Não exponha o computador a choques, pancadas ou vibrações, e evite que ele caia, para não prejudicar as peças internas [...]”. (Manual de instruções de um computador). Descrição: Os textos descritivos têm por objetivo descrever objetivamente ou subjetivamente coisas, pessoas ou situações. Os gêneros que se apropriam da estrutura descritiva são: laudo, relatório, ata, guia de viagem etc. Também podem ser encontrados em textos literários através da descrição subjetiva: “[...] Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. [...]”. (Fragmento do conto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector). “[...] É na parte alta que fica o colorido Pelourinho, bairro histórico e tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Em suas ruas e vielas estão centenas de casarões dos séculos 17 e 18 que abrigam de museus a terreiros de candomblé, além de templos católicos que atraem estudiosos do mundo todo – é o caso da igreja de São Francisco, considerada a obra barroca mais rica do país [...]”. (Descrição objetiva de um guia de viagem). Romance Romance é um gênero textual que consiste em uma narrativa longa, escrita em prosa. Seu surgimento e popularidade remete ao século XVIII, quando ele tomou o lugar das epopeias (longas narrativas em verso). Por tratar-se de uma narrativa, o romance possui uma ação, lugar onde ela ocorre, tempo em que ela acontece, personagens que a realizam, uma trama e um ponto de vista, isto é, a perspectiva do narrador. Os tipos de romance são: • monofônico, • polifônico, • fechado, • aberto, • linear ou progressivo, • vertical ou analítico, • psicológico. Leia também: Conto – gênero que se caracteriza principalmente por ser uma narrativa curta Conceito de romance Os romances consistem em narrativas longas que podem contar as mais diversas histórias. Tudo indica que o termo “romance” tem origem na palavra “romanice”, cujo significado está relacionado a qualquer obra escrita em romanço (língua falada nas regiões ocupadas pelos romanos). Porém, foi a partir do século XVIII que o termo “romance” começou a ser utilizado com a acepção que conhecemos hoje, isto é, uma narrativa longa, escrita em prosa. Portanto, o romance e o romantismo surgiram ao mesmo tempo e parece terem sido feitos um para o outro. Ao contrário dos poemas épicos, o romance surgiu para representar pessoas comuns e ser o reflexo do povo. Dessa forma, é um gênero textual que, segundo o crítico Massaud Moisés, foi porta-voz das ambições, desejos e vaidades da burguesia em ascensão, além de servir como fuga da realidade. Era, então, um espelho idealizado dessa classe. Na atualidade, a burguesia não é mais a única classe a ser representada nas obras de autores e autoras contemporâneos. Principais características do romance O romance é uma narrativa longa, escrita em prosa e possui a seguinte estrutura: • Ação: série de acontecimentos que se combinam para formar o enredo da obra. • Lugar: espaços físicos em que transcorre a ação. • Tempo: o “quando” da ação, as datas dos acontecimentos, ou mesmo a duração dos fatos narrados: - Tempo cronológico: a ação respeita o tempo físico, isto é, a sequência de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. Assim, o tempo transcorre com regularidade, com linearidade. - Tempo psicológico: não está relacionado ao espaço, mas ao interior, à mente das personagens. É, portanto, o tempo mental, do pensamento, em que presente, passado e futuro às vezes anulam-se. • Personagens: realizam a ação: - Personagem plana: comum e previsível. - Personagem redonda ou esférica: complexa e imprevisível. • Trama: a história narrada, o enredo. • Ponto de vista: foco narrativo, a perspectiva de quem narra: - Narrador personagem (em primeira pessoa): participa da história. - Narrador observador (em terceira pessoa): narra apenas o que ele observa. - Narrador onisciente ou onipresente (em terceira pessoa): possui total conhecimento dos fatos narrados e das personagens. Leia também: Graciliano Ramos – autor que inovou a produção de romances regionais Tipos de romance • Romance monofônico O foco narrativo está sobre uma personagem, o protagonista: “Aos dias difíceis, que tenho passado no correr dos tempos, sempre se sucederam dias repousantes, sem problemas, durante os quais todos os fantasmas se desvanecem e os velhos temas torturantes deixam a tona da consciência, [...].” O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos. • Romance polifônico O foco narrativo está sobre várias personagens. Um exemplo é o romance Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso (1912-1968), que concede o protagonismo a várias personagens, como é possível verificar, por exemplo, nos primeiros cinco capítulos da obra: 1. Diário de André (conclusão). 2. Primeira carta de Nina a Valdo Menezes. 3. Primeira narrativa do farmacêutico. 4. Diário de Betty (I). 5. Primeira narrativa do médico. • Romance fechado O narrador fornece todas as informações, não deixa espaço (abertura) para a imaginação dos leitores: “E só me resta chegar rapidamente ao desenlace desta narração singular com a qual tratei de conseguir que o leitor compartilhasse os medos escuros e as vagas conjecturas que ensombreceram, durante tantas semanas, nossas vidas e que concluíram de maneira tão trágica. Na manhã seguinte se levantou a névoa e a senhora Stapleton nos levou até o lugar onde ela e seu esposo tinham encontrado um caminho praticável para penetrar no pântano. [...]. Holmes afundou-se até a cintura ao sair do caminho para pegá-lo [um objeto escuro], e se não estivéssemos ali para ajudá-lo, nunca voltaria a colocar o pé em terra firme. O que levantou no ar foi uma bota velha de cor preta. “[...]” estava impresso no interior do couro.|1|” O cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle. O romance policial é um típico exemplo de romance fechado. • Romance aberto Nem tudo é expresso, o narrador deixa lacunas a serem preenchidas pelos leitores. Como, a misteriosa acusação que sofre Josef K., personagem do romance O processo, de Franz Kafka (1883-1924): “Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã. A cozinheira da senhora Grubach, sua senhoria, que lhe trazia o café da manhã todos os dias bem cedo, por volta das oito horas, desta vez não aparecera.|2|” • Romance linear ou progressivo Os acontecimentos que formam o enredo são mais importantes do que a reflexão: “O senhor Sherlock Holmes, que sempre se levantava muito tarde, exceto nas ocasiões nada raras em que não dormia por toda a noite, estava tomando o café. Eu, que me achava de pé perto da chaminé, agachei-me para pegar a bengala esquecida por nosso visitante da noite anterior. [...]. Era exatamente a classe de bengala que costumavam levar os antigos médicos de cabeceira: digna, sólida e que inspirava confiança. — Vejamos, Watson, a que conclusões chega?”|1| O cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle. • Romance vertical ou analítico A ação é auxiliar, no contexto geral da obra, pois o principal objetivo é refletir sobre o impacto dessa ação nas personagens: “Quaresma viveu lá, no manicômio, resignadamente, conversando com os seus companheiros, onde via ricos que se diziam pobres, pobres que se queriam ricos, sábios a maldizer da sabedoria, ignorantes a se proclamarem sábios; [...]. Saiu o major mais triste ainda do que vivera toda a vida. De todas as coisas tristes de ver, no mundo, a mais triste é a loucura; é a mais depressora e pungente. Aquela continuação da nossa vida tal e qual, com um desarranjo imperceptível, mas profundo e quase sempre insondável, que a inutiliza inteiramente, faz pensar em alguma coisa mais forte que nós, que nos guia, que nos impele e em cujas mãos somos simples joguetes.” Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. • Romance psicológico Está centrado no funcionamento da mente humana, nos pensamentos do narrador ou das personagens, na forma como eles entendem o mundo exterior. É caracterizado, portanto, pela análise psicológica e pelos fluxos de consciência. Assim, ao contrário do romance vertical ou analítico, ele não está condicionado à ação, pois a reflexão, a análise está voltada para o mundo íntimo, os sentimentos e memórias do narrador ou personagens: “[...], primeiro porque travava conhecimento com a cunhada (e quem sabe por que meios, por que secretas afinidades conseguiria transformá-la numa aliada?), segundo porque, no íntimo, devia tramar alguma coisa contra os irmãos. Ah, essa raça de Meneses era bem minha conhecida. No entanto, de pé, procurava em vão imaginar por que aquela visita lhe causava um tão extraordinário prazer. Que secreta partida jogava ele, [...]?” Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. Notas |1| Tradução (de edição em espanhol) para o português: Warley Souza. |2| Tradução de Marcelo Backes. Conto O conto é um gênero literário marcado pela concisão. Tais narrativas têm, em geral, poucos personagens, espaço e tempo restritos e um conflito único. “Todos têm uma história”. Em um conto, dos temas mais complexos aos mais simples são narrados. Qualquer um pode construí-lo! O conto é um dos mais tradicionais gêneros literários e um dos mais lidos pelo público na atualidade. Por ser curto, esse tipo de texto tem alcançado cada vez mais espaço, circulando em redes sociais e blogs pela internet. Autores clássicos da literatura brasileira, tais como Machado de Assis ou Mário de Andrade, ganharam notoriedade por serem excepcionais contistas. O gênero tem, hoje, diversas subdivisões, tais como “contos de ficção científica”, “infantojuvenis”, “fantásticos”, “de fada”, entre tantas outros. As principais características do conto são a presença dos elementos tradicionais da narrativa – personagens, tempo, espaço e enredo – em suas formas concisas, conforme explicaremos a seguir. Acesse também: Conheça a tipologia textual de que o conto faz parte. Características do gênero O conto pode ser definido como uma narrativa curta e com um único conflito. Isso significa que, nessas histórias, há poucos personagens, o tempo e o espaço são reduzidos ao essencial e, além disso, o enredo (a sequência de ações pelas quais os personagens passam) é marcado pela existência de um único acontecimento relevante. Dessa forma, em geral, os contos apresentam apenas um clímax (aquele momento de maior tensão da narrativa). Veja, a seguir, um trecho do conto Negrinha, de Monteiro Lobato: Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças. Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. Ótima, a dona Inácia. Mas não admitia choro de criança. [...] Note-se que, nesse trecho – parte inicial do conto de Monteiro Lobato – já é possível perceber todos os elementos do conto: As poucas personagens – Negrinha e Dona Inácia – vivem um enredo que ocorre em uma fazenda alguns anos após a libertação dos escravos. Isso é perceptível porque nos é dito que a mãe de Negrinha era uma escrava de Dona Inácia. O conflito único que percorre todo o enredo é deflagrado, por sua vez, na frase “Ótima, a dona Inácia. Mas não admitia choro de criança”. Aqui, percebemos que a questão central do conto é a relação abusiva que existia entre as duas personagens centrais. Tipos de conto Existem diversos tipos de conto, e a categorização dessas subdivisões do gênero devem-se a diversos fatores, tais como o tipo de personagem, a época em que o enredo ocorre, ou ainda o público. Listamos, a seguir, alguns tipos de conto: • Conto de ficção científica: caracterizado por ter, em seu enredo, elementos que não existem em nossa realidade, mas que poderiam existir devido ao avanço científico e tecnológico. • Conto infantojuvenil: narrativas voltadas para jovens e crianças. Normalmente, a linguagem utilizada nesses contos é mais simples, e as temáticas são relacionadas a conflitos comuns na vida de seus leitores-alvo. • Conto fantástico: com personagens e acontecimentos impossíveis na realidade e não explicados na narrativa, esses contos têm conquistado cada vez mais leitores. • Conto de fadas: velho conhecido de muitas pessoas, o conto de fadas é marcado pela existência de fadas e outras criaturas mágicas entre suas personagens. Esse subgênero de conto é especialmente lido por crianças, embora existam narrativas assim voltadas para o público mais velho. Leia também: Técnicas de estrutura da narrativa Diferenças entre conto e crônica É muito comum encontrarmos certas dificuldades para diferenciar os gêneros conto e crônica. Entretanto, é bom saber que eles não têm as mesmas características. O conto, como já dissemos, é uma narrativa curta e com um único conflito em seu enredo. A crônica, por outro lado, é um gênero discursivo que busca retratar o cotidiano e está ligado ao jornal. Normalmente, as crônicas encontradas diariamente nas bancas tratam de assuntos corriqueiros da atualidade. O bom cronista é aquele que consegue contar o dia a dia de um modo específico e fascinante, com um ponto de vista singular. Alguns célebres escritores brasileiros – tais como Clarice Lispector ou Lima Barreto – foram, também, cronistas. Narração A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados por uma narração feita por um narrador. Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história. Existem três tipos de foco narrativo: - Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso ele é narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa. - Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo que acontece e transmite ao leitor, a história é contada em 3 pessoa. - Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando seus pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre). É comum que o texto narrativo apresente a seguinte estrutura: Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá. Complicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, conduzindo ao clímax. Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o desfecho inevitável. Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens. Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são elementos vitais. As personagens são principais ou secundárias, conforme o papel que desempenham no enredo, podem ser apresentadas direta ou indiretamente. A apresentação direta é quando o personagem aparece de forma clara no texto, retratando suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como vai fazendo.

Material para 2 ano - pré-modernismo e modernismo. ( 3 etapa)

>Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/premodernismo.htm O pré-modernismo Foi, como o próprio nome aponta, um período de transição no universo artístico. Principalmente entre os anos de 1902 e 1922, houve uma produção literária que não correspondia às escolas do realismo, do naturalismo, do simbolismo ou do parnasianismo, tendências estéticas ainda correntes na época. Essa produção foi chamada pré-moderna e recuperou algumas características dos movimentos artísticos da época, ao mesmo tempo em que delineou aquilo que depois seria conhecido como modernismo. Assim, o que se entende por pré-modernismo é uma confluência de diversas produções que misturam tendências literárias diferentes. Leia também: Mário de Andrade – importante autor da primeira fase do modernismo no Brasil Contexto histórico do pré-modernismo A virada do século XIX para o século XX correspondeu, no Brasil, a uma transição do regime monárquico para o republicano. É o chamado período da República Velha, muitas vezes também denominado de “República do Café com Leite”, graças à oligarquia promovida pelos grandes latifundiários dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Eram eles os responsáveis por decidir os rumos da política e da economia brasileiras. Também eram influentes outras camadas da classe dominante, como o Exército e a burguesia industrial, que ganhava força especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. O surgimento do modo de produção industrial brasileiro trouxe consigo o aumento da urbanização e criou novos estratos sociais, como o proletariado e o subproletariado. Além disso, com a consolidação da economia cafeeira, declinava cada vez mais a cultura de cana-de-açúcar no Nordeste brasileiro. A escravatura, recém-abolida, escancarou as fronteiras do país para a chegada de imigrantes europeus e asiáticos, com vistas a substituir a mão de obra escrava nas lavouras. Os negros alforriados, por sua vez, não tiveram qualquer direito à integração cidadã: três séculos de escravatura naturalizaram socialmente essa condição e foram basilares para o racismo estrutural como um dos componentes da fundação da república. Uma nova massa de desempregados e desvalidos formava-se e agravavam-se as desigualdades sociais. Criava-se um abismo cada vez maior entre o povo e os dirigentes da República, que também, por sua vez, viam-se em um conflito de interesses: de um lado, o grupo de latifundiários representantes do tradicionalismo agrário brasileiro, até pouco tempo escravocrata; de outro, a burguesia industrial incipiente, influenciável pelos fluxos financeiros e interesses do capital europeu e estadunidense. Os primeiros anos do Brasil republicano ficaram também conhecidos como período da República da Espada, marcado pelo autoritarismo do Exército e por insurreições como a Revolta da Armada, a Guerra de Canudos e a Revolução Federalista. Ilustração do Marechal Floriano Peixoto, segundo presidente da república brasileira, e à direita, da Revolta da Armada, uma dentre as várias insurreições da oligarquia republicana. Características do pré-modernismo O pré-modernismo não foi uma escola ou uma tendência literária e congregou produções muito distintas entre si. Assim, não há uma homogeneidade entre as características das obras do período. Ainda assim, podemos citar algumas, que aparecem ora em algumas produções, ora em outras. • Nacionalismo crítico/temático: preferência pela abordagem das desigualdades sociais, colocando em evidência um Brasil miserável e marginalizado, um Brasil não oficial, que as promessas de modernização do governo republicano tentavam encobrir. Além disso, já teve início um repúdio pelas escolas literárias importadas da Europa, em busca de uma expressão artística de fato brasileira. • Renovação da linguagem literária: alguns autores optaram pela incorporação de elementos da linguagem coloquial na linguagem literária, ampliando o léxico das obras para regionalismos, expressões populares, neologismos e gírias. Também houve certa aproximação entre a linguagem literária e a jornalística. Outros escritores, por sua vez, preferiram proposta diferente: a poetização da linguagem científica. Pré-modernismo na Europa A virada do século XIX para o século XX, na Europa, configurou outro contexto histórico e fez florescer outras tendências estéticas. O fenômeno da industrialização, que no Brasil era ainda muito inicial nesse período, já era uma realidade consolidada na Inglaterra e na França, fazendo surgir grandes centros urbanos nesses países. Enquanto o Brasil ainda vivia de modo predominantemente rural, os países europeus passavam por uma segunda etapa da Revolução Industrial e, consequentemente, por grandes mudanças na vida cotidiana, que já se anunciavam desde o final do século XVIII. A ideia de modernidade, de inquietude e de transformação cultural já estava presente em obras europeias de meados do século XIX, com destaque para a produção literária de Charles Baudelaire (1821-1867), considerado um dos precursores da noção de modernidade. No campo das artes visuais, o rompimento com o academicismo teve início com o movimento impressionista, por volta das décadas de 1860 e 1870, abrindo espaço para novas técnicas e novas maneiras de produção artística. Na literatura, conviveram os movimentos do realismo, naturalismo, parnasianismo e simbolismo – esse último absorveu ainda mais os tons crepusculares da virada do século e das incertezas a respeito do futuro da humanidade, do mal-estar da civilização industrial, da redução do ser humano em instrumento do mercado de trabalho. Tudo isso preparou o terreno para que, nos primeiros anos do século XX, a Europa começasse a vivenciar uma grande transformação no que diz respeito à maneira como se produzia e se entendia o trabalho artístico. Assim, em 1905, surgiu na Alemanha uma tendência estética chamada expressionismo, um dos primeiros entre os diversos movimentos de vanguarda artística que deram início ao que se chamou de arte moderna. Leia também: Modernismo em Portugal - períodos e características Autores do pré-modernismo • Euclides da Cunha (1866-1909) Gravura de Euclides da Cunha feita por Laudelino Freire. Engenheiro militar de formação, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em Cantagalo (RJ), em 20 de janeiro de 1866. Discípulo de Benjamin Constant, que fundamentou seus ideais republicanos, foi expulso da Escola Militar da Praia Vermelha em 1888 depois de ter ofendido o ministro da Guerra do Império. Mudou-se para São Paulo, onde passou a colaborar como escritor para o jornal A Província de São Paulo, que mais tarde se tornaria o ainda em circulação O Estado de S. Paulo. Foi reincorporado ao Exército depois da Proclamação da República, do qual se desligou apenas em 1896. Trabalhou como engenheiro em diversas regiões do país. Sua grande contribuição literária foi a obra Os sertões, publicada pela primeira vez em 1902. Trata-se de um vasto compilado daquilo que presenciou enquanto repórter d’O Estado de S. Paulo ao viajar para o sertão baiano durante a Guerra de Canudos, em 1897. É um livro de não ficção que surpreende pelo hibridismo entre as descrições poéticas do cenário natural, ao mesmo tempo que aborda questões sociológicas, geográficas e científicas, unidas a vocabulários sertanejos e brasileirismos. • Lima Barreto (1881-1922) Retrato de Lima Barreto, um dos nomes centrais da literatura brasileira no período pré-modernista. Filho de um tipógrafo e de uma professora primária, Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881, e ficou órfão de mãe aos 7 anos. De origem humilde, foi jornalista e também funcionário público. Sua vida pessoal foi tumultuada e atormentada pelas dificuldades em ser mestiço, pobre e produzir literatura no meio intelectual fluminense. Acometido por crises de depressão e alcoolismo, foi internado duas vezes no Hospício Nacional, onde escreveu uma de suas grandes obras, Cemitério dos Vivos. Engajado em uma literatura social, era profundamente avesso à oligarquia republicana, e seu estilo literário envolvia um hibridismo entre os planos narrativo e crítico. Sua obra mais famosa, publicada pela primeira vez em 1915, é Triste fim de Policarpo Quaresma, que narra a trajetória de um protagonista patriota que, entre outros arroubos de nacionalidade exacerbada, aprende tupi e defende que seja essa a língua oficial brasileira. Policarpo tem uma postura quixotesca e seu triste fim coincide com a revelação de que a pátria por ele tanto sonhada nunca existira. • Monteiro Lobato (1882-1948) Estátua de Monteiro Lobato na entrada de Taubaté, sua cidade natal. [1] José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, em 18 de abril de 1882. Herdou a fazenda do avô, mas sem saber administrá-la, vendeu-a e comprou a Revista do Brasil, mudando-se para São Paulo. A empreitada como editor também não foi bem-sucedida, levando Lobato a mudar-se, em 1925, para Nova York, onde trabalhou como adido comercial. Retornou para o Brasil em 1931 e fundou a Companhia Petróleo do Brasil. Lobato tinha uma postura nacionalista, conservadora, polemista e pouco receptiva às propostas modernistas da Semana de 1922. É mais conhecido por suas histórias voltadas ao público infantojuvenil, principalmente a série de narrativas do universo do Sítio do Picapau Amarelo, por ele criado. Mas escreveu também para adultos, com destaque para os livros de contos Urupês, Cidades Mortas e Negrinha. Além dos contos, escreveu o romance O choque das raças ou o presidente negro e muitos artigos e ensaios – sem dúvidas, polêmicos. É dele o personagem Jeca Tatu, uma representação regionalista do brasileiro caboclo do interior paulista, ligado à terra, um expoente das camadas mais baixas da cultura agrícola nacional. • Augusto dos Anjos (1884-1914) O paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 20 de abril de 1884, em Engenho Pau d’Arco, e assinou uma obra especialmente ímpar e difícil de enquadrar dentro da historiografia literária nacional. Filho de um bacharel, estudou Direito em Recife, mas nunca exerceu a profissão: viveu publicando artigos em jornais da Paraíba e lecionando Língua Portuguesa e Literatura, não só em seu estado natal, como também no Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1910. Publicou apenas um volume de poesias durante sua breve vida, intitulado Eu (1912), cuja recepção crítica foi extremamente negativa. Dono de um vocabulário rebuscado, composto de uma mistura de termos científicos e uma adjetivação singularíssima, o poeta mesclou em seus versos tendências do parnasianismo, do simbolismo, do naturalismo e do expressionismo, sem se encaixar plenamente em nenhuma delas. Cantor das mais profundas angústias humanas, Augusto dos Anjos foi um exímio sonetista e descreveu, em sua linguagem muito original, a morbidez e a dissolução da matéria humana em versos tensos e violentos. • Graça Aranha (1868-1931) Natural de São Luís (MA), João Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868. Foi romancista, ensaísta e magistrado, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e um dos mais influentes e comprometidos escritores no que diz respeito à renovação artística nacional. Foi durante o exercício da magistratura no interior do estado do Espírito Santo que o autor delineou seu primeiro romance, intitulado Canaã e lançado em 1902. Nele o autor retrata uma comunidade de imigrantes alemães em um povoado capixaba, e cujas personagens têm posturas muito diferentes a respeito da vida. Graça Aranha levanta, por meio das interações do romance, questões como o colonialismo agressivo e imperialista, o pacifismo, o evolucionismo e o racismo, sendo precursor de questões importantes do Brasil do século XX. Grande avesso ao neoparnasianismo, conheceu o grupo modernista e foi um dos grandes patronos da Semana de Arte Moderna de 1922. Pré-modernismo e o modernismo O termo pré-modernismo foi proposto pela primeira vez em 1939 pelo crítico literário Alceu Amoroso Lima, também conhecido por seu pseudônimo Tristão de Ataíde. Essa nomenclatura indica uma ligação indissociável da produção escrita do período ao modernismo. De fato, na produção pré-modernista, podem ser encontrados procedimentos literários que, de certa maneira, anteciparam o que seria adotado pelo modernismo, como o nacionalismo crítico e a valorização da linguagem coloquial. Por outro lado, essas características não estão presentes em todas as obras, nem aparecem de maneira homogênea. Ainda assim, é importante perceber que a grande ruptura promovida pelo modernismo não nasceu repentinamente, mas foi fruto de um processo de mudanças que já estava em curso. Acesse também: Cora Coralina – poeta goiana que não se associou a nenhum movimento literário Exercícios resolvidos Questão 1 – (UEL-PR) Nas duas primeiras décadas de nosso século, as obras de Euclides da Cunha e de Lima Barreto, tão diferentes entre si, têm como elemento comum: A) a intenção de retratar o Brasil de modo otimista e idealizante. B) a adoção da linguagem coloquial das camadas populares do sertão. C) a expressão de aspectos até então negligenciados da realidade brasileira. D) a prática de um experimentalismo linguístico radical. E) o estilo conservador do antigo regionalismo romântico. Resolução Alternativa C. Os autores do período pré-moderno não percebiam a realidade brasileira de modo otimista, mas voltaram seus olhares para aspectos da miséria e disparidade social negligenciados pela comunicação oficial da República e também pelos parnasianos. Tampouco promoveram um experimento linguístico radical ou retornaram ao estilo conservador do regionalismo romântico. Embora Euclides da Cunha tenha inserido, em sua obra Os Sertões, muito do linguajar popular sertanejo, o livro não foi escrito em linguagem coloquial – e Lima Barreto não incorpora em suas obras esses elementos. Modernismo O modernismo é um estilo de época surgido no início do século XX, em um contexto de tensão política entre as grandes potências europeias, o que levou a duas guerras mundiais. Nesse período, ocorreram também descobertas e inovações tecnocientíficas que passaram a caracterizar a vida moderna. Já no Brasil, a República Velha (1889-1930) chegava ao fim para dar início à Era Vargas (1930-1945). Esse estilo de época é caracterizado pelo seu caráter transgressor, antiacadêmico e nacionalista. No Brasil, ele é dividido em três fases distintas, que, juntas, englobam o período de 1922 a 1978. Conta com autores como Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Ferreira Gullar e Clarice Lispector. Já em Portugal, o maior nome do modernismo é Fernando Pessoa. Leia também: Parnasianismo – movimento literário anterior ao modernismo Contexto histórico do modernismo Na Europa, a expansão imperialista, iniciada no século XIX, marcada pela exploração de países subdesenvolvidos e pela disputa entre as grandes potências, levou à corrida armamentista e à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após esse conflito, os movimentos nacionalistas intensificaram-se, levando ao fortalecimento do nazismo e do fascismo, o que culminou na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). No campo científico, Albert Einstein (1879-1955) divulgou a sua teoria da relatividade, em 1905, enquanto Sigmund Freud (1856-1939) colocava o inconsciente em discussão e forjava as bases da psicanálise. Além disso, as inovações tecnológicas passavam a fazer parte da vida das pessoas, as máquinas e a velocidade tornavam-se símbolos da vida moderna. Nesse contexto, os artistas sentiram-se inspirados a criar uma “nova arte”, radical e crítica da tradição acadêmica. Assim, surgiram os movimentos de vanguarda na Europa. No Brasil, a República Velha chegava ao seu fim com os movimentos tenentistas no início da década de 1920, comandados por militares descontentes com o governo. Em 1924, a Coluna Prestes, de viés comunista, liderada por Luís Carlos Prestes (1898-1990), iniciava sua marcha, que durou dois anos, para convocar o povo a revoltar-se contra as elites. Comando da Coluna Prestes, provavelmente em 1925. Em 1929, houve a quebra da Bolsa de Nova Iorque, o que prejudicou a economia brasileira, baseada na exportação de café. No ano seguinte, quando Getúlio Vargas (1882-1954) perdeu as eleições para Júlio Prestes (1882-1946), supostamente devido a uma fraude, o presidente Washington Luís (1869-1957) foi deposto por um golpe de estado, e Vargas tomou posse provisoriamente. Contudo, era o início da Era Vargas, que duraria até 1945. Características do modernismo Em linhas gerais, o modernismo apresenta a seguintes características: • Antiacademicismo • Experimentalismo • Crítica à tradição • Nacionalismo • Desconstrução • Renovação estética • Fragmentação • Liberdade formal • Liberdade de criação • Espírito anárquico • Temática sociopolítica Leia também: Pré-modernismo – aspectos literários do início do século XX Modernismo no Brasil Cecília Meireles, poetisa da segunda fase do modernismo brasileiro. • Primeira geração modernista (1922-1930) Tem início com a Semana de Arte Moderna, em 1922, e possui as seguintes características: • Releitura crítica dos símbolos da nacionalidade • Liberdade de criação • Antiacademicismo • Liberdade formal • Ironia • Aproximação entre fala e escrita • Releitura do passado histórico • Regionalismo • Nacionalismo crítico → Principais autores e obras • Oswald de Andrade (1890-1954): Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e Pau-brasil (1925) • Mário de Andrade (1893-1945): Pauliceia desvairada (1922) e Macunaíma (1928) • Manuel Bandeira (1886-1968): Libertinagem (1930) Para saber mais sobre essa fase do modernismo no Brasil, leia: Modernismo – primeira fase literária. • Segunda geração modernista (1930-1945) Apresenta as seguintes características: • O mundo contemporâneo • O sentido existencial • Conflito espiritual • Sociopolítica • Liberdade formal → Principais autores e obras • Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): Alguma poesia (1930) e A rosa do povo (1945) • Vinicius de Moraes (1913-1980): Novos poemas (1938) • Cecília Meireles (1901-1964): Romanceiro da Inconfidência (1953) • Jorge de Lima (1893-1953): Poemas negros (1947) • Murilo Mendes (1901-1975): História do Brasil (1932) e O visionário (1941) Leia mais sobre a produção poética desse período em: Poesia na segunda geração do modernismo. • Romance de 1930 Engloba narrativas publicadas entre 1930 e 1945, é assim caracterizado: • Neorregionalista • Neorrealista • Determinista • Enredos dinâmicos • Uso de linguagem simples • Apresentação da “cor local” → Principais autores e obras • Rachel de Queiroz (1910-2003): O quinze (1930) • Erico Verissimo (1905-1975): O tempo e o vento (1949-1961) • Graciliano Ramos (1892-1953): Vidas secas (1938) e Memórias do cárcere (1953) • José Lins do Rego (1901-1957): Menino de engenho (1932) • Jorge Amado (1912-2001): Capitães de areia (1937) e O cavaleiro da esperança (1942) Para saber mais sobre essa fase também conhecida como neorrealismo, acesse o nosso texto: Modernismo – segunda fase literária – prosa. Vidas secas, de Graciliano Ramos, é um dos mais famosos romances de 30. [1] A terceira geração modernista (ou pós-modernismo), que compreende as produções literárias realizadas entre 1945 e 1978, pode ser assim dividida: • Poesia da geração de 1945 • Volta do rigor formal • Preocupação com a materialidade do texto poético: ritmo e espaço • Valorização da construção do poema: racional e planejada • Ampliação do poder de significação da palavra e do texto • Temas sociais, morais e políticos → Principais autores e obras • João Cabral de Melo Neto (1920-1999): Morte e vida severina (1955) • Ferreira Gullar (1930-2016): Poema sujo (1976) • Concretismo • Experimentalismo • Foco no espaço • Ruptura radical com a poesia intimista • Aspecto verbivocovisual: semântico, sonoro e visual • Multiplicação das possibilidades de leitura → Principais autores e obras • Décio Pignatari (1927-2012): Poesia pois é poesia (1977) • Haroldo de Campos (1929-2003): Galáxias (1984) • Augusto de Campos: Viva vaia (1979) Para aprender mais sobre essa estética experimental, leia: Concretismo. • Prosa da terceira geração modernista ou do pós-modernismo • Liberdade e experimentação com a linguagem • Não convencionalismo • Temática do particular em diálogo com o universal • Fluxo de consciência • Fragmentação • Metalinguagem → Principais autores e obras • Clarice Lispector (1920-1977): A hora da estrela (1977) • João Guimarães Rosa (1908-1967): Grande sertão: veredas (1956) Conheça melhor as características e os autores desse período do modernismo em: Prosa do pós-modernismo. Resumo • Contexto histórico: o Europa:  Imperialismo  Primeira Guerra Mundial  Segunda Guerra Mundial • Brasil: o República Velha o Era Vargas • Características: o Antiacademicismo o Experimentalismo o Crítica à tradição o Nacionalismo o Desconstrução o Renovação estética o Fragmentação o Liberdade formal o Liberdade de criação o Espírito anárquico o Temática sociopolítica • • Brasil: o Oswald de Andrade: Memórias sentimentais de João Miramar e Pau-brasil o Mário de Andrade: Pauliceia desvairada e Macunaíma o Manuel Bandeira: Libertinagem o Carlos Drummond de Andrade: Alguma poesia e A rosa do povo o Vinicius de Moraes: Novos poemas o Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência o Jorge de Lima: Poemas negros o Murilo Mendes: História do Brasil e O visionário o Rachel de Queiroz: O quinze o Erico Verissimo: O tempo e o vento o Graciliano Ramos: Vidas secas e Memórias do cárcere o José Lins do Rego: Menino de engenho o Jorge Amado: Capitães da areia e O cavaleiro da esperança o João Cabral de Melo Neto: Morte e vida severina o Ferreira Gullar: Poema sujo o Décio Pignatari: Poesia pois é poesia o Haroldo de Campos: Galáxias o Augusto de Campos: Viva vaia o Clarice Lispector: A hora da estrela o João Guimarães Rosa: Grande sertão: veredas • Modernismo no Brasil: o Primeira geração: 1922-1930 o Segunda geração: 1930-1945 o Terceira geração ou pós-modernismo: 1945-1978 Poesia na Segunda Geração do Modernismo A poesia na Segunda Geração do Modernismo apresentou à Literatura nomes como Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Murilo Mendes e Cecília Meireles. Drummond, Mario Quintana, Murilo Mendes, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes: poetas que ampliaram o horizonte da poesia na Literatura brasileira.* A Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo no ano de 1922, foi um divisor de águas para a Literatura brasileira. Apresentou, entre outros representantes das diversas áreas da arte, alguns dos expoentes da Literatura modernista que romperiam drasticamente com o modelo literário vigente. Nomes como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade exaltaram o Brasil na página literária e utilizaram à exaustão jogos primitivistas e antropofágicos. Em sua segunda fase, entre os anos de 1930 a 1945, a poesia modernista alargou seus horizontes temáticos e consolidou-se graças às conquistas de seus precursores. A segunda geração foi marcada pelo amadurecimento e pela ruptura com a fase polêmica de suas primeiras manifestações. A poesia continuou adotando o verso livre, mas resgatou também formas como o soneto ou o madrigal sem que isso fosse necessariamente um retorno às estéticas do passado, tão questionadas pelos poetas que ganharam projeção na Semana de Arte Moderna. Soneto de Fidelidade De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes A rua dos cataventos Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha. Hoje, dos meu cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada, Como único bem que me ficou. Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada! Pois dessa mão avaramente adunca Não haverão de arracar a luz sagrada! Aves da noite! Asas do horror! Voejai! Que a luz trêmula e triste como um ai, A luz de um morto não se apaga nunca! Mario Quintana A poesia estava em sintonia com as diversas manifestações artísticas e com outras esferas culturais e, por esse motivo, é possível encontrar influências do Surrealismo e até mesmo da psicanálise, que dilataram o campo de experimentações poéticas. Podemos observar essa característica nos versos do poema “O Pastor Pianista”, de Murilo Mendes: O Pastor Pianista Soltaram os pianos na planície deserta Onde as sombras dos pássaros vêm beber. Eu sou o pastor pianista, Vejo ao longe com alegria meus pianos Recortarem os vultos monumentais Contra a lua. Acompanhado pelas rosas migradoras Apascento os pianos: gritam E transmitem o antigo clamor do homem Que reclamando a contemplação, Sonha e provoca a harmonia, Trabalha mesmo à força, E pelo vento nas folhagens, Pelos planetas, pelo andar das mulheres, Pelo amor e seus contrastes, Comunica-se com os deuses. Murilo Mendes Quanto à temática da poesia modernista da segunda fase, podemos observar a preocupação dos poetas não apenas com a abordagem do cotidiano, bastante denotada naquilo que alguns estudiosos chamaram de “momento poético”, mas também com problemas sociais e históricos. Drummond apropriou-se dessas características, que podem ser observadas no poema “Congresso Internacional do Medo”. Congresso Internacional do Medo Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. Carlos Drummond de Andrade Outra característica presente nesse momento da poesia modernista foi a retomada de elementos simbolistas, sem que isso, novamente, representasse um amplo resgate da produção literária pré-modernista. Essa apropriação de elementos de outras vertentes da Literatura aconteceu em virtude de um alargamento do campo temático, que contemplava aspectos sociais e inquietações religiosas. Depois do sol... Fez-se noite com tal mistério, Tão sem rumor, tão devagar, Que o crepúsculo é como um luar Iluminando um cemitério . . . Tudo imóvel . . . Serenidades . . . Que tristeza, nos sonhos meus! E quanto choro e quanto adeus Neste mar de infelicidades! Oh! Paisagens minhas de antanho . . . Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . . — As nuvens passam desiguais, Com sonolência de rebanho . . . Seres e coisas vão-se embora . . . E, na auréola triste do luar, Anda a lua, tão devagar, Que parece Nossa Senhora Pelos silêncios a sonhar... Cecília Meireles Os poetas da segunda geração do modernismo deram continuidade às conquistas dos primeiros modernistas e criaram novas possibilidades temáticas, perpetuando a nova concepção de Literatura defendida por seus antecessores e levando adiante o projeto de liberdade de expressão que possibilitou até mesmo uma revisitação da Literatura clássica.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Questões dos livros para prova

Caros alunos, de todas as turmas de primeiro e segundo ano, nesta publicação temos as questões que serão sorteadas para prova. Sugiro que leiam os livros e façam as questões, pois as notas da prova passada foram muitíssimo baixas o que pode acarretar problemas com reprovação. Abaixo os livros para essa avaliação, que se realizará na segunda semana de aula, data marcada pela Escola.
Questões: IRACEMA 1- A partir da leitura do romance Iracema, e considerando o contexto do Romantismo brasileiro, é correto afirmarmos que A adjetivação abundante (“ardente chama”; “intenso fogo”; “tépido ninho”; “vivos rubores”) é uma importante característica da prosa romântica, que será mais tarde evitada por escritores realistas? Sim ou não, Por que? 2- Qual foi a traição de Iracema? 3- O foco da obra é o romance entre Iracema e Martim, branco e civilizado. Muitos consideram uma alegoria da submissão do índio ao branco, entendida como a traição de Iracema ao violar o a tradição indígena e dar a bebida secreta do pajé à Martim, você concorda com essa tese? Sim ou não, Por que? 4- Quais são as habilidades de Iracema? 5- Qual é o segredo de Iracema? 6- Qual o nome do filho de Iracema? 7- Qual o motivo da morte de Iracema? 8- Como é o amor de Martim por Iracema *? 9- Quem casou com Iracema? 10- Quais conflitos de Iracema? Qual é a relação de Iracema com a natureza? 11- Como o autor descreve a personagem Iracema? Sua personalidade e aparência. 12- Qual é o clímax da obra? 13- Que fato no texto perturba a paz de Iracema e dá início ao conflito? 14- Quem morre em Iracema? 15- Qual é o narrador e o foco narrativo do texto Iracema? 16-Descreva o primeiro encontro de Iracema e Martim: 17- Em que aspecto o livro Iracema ajuda na formação um povo brasileiro? 18- Relacione o Livro Iracema com seu contexto histórico que também é relatado no livro de Eduardo Galeano: 19-Como você vê hoje a relação do homem branco com os indígenas no Brasil? 20- Como você acha que os indígenas de veriam ser tratados no passado e hoje? 21- Quais os personagens aparecem no livro de José de Alencar? 22- Quem foi José de Alencar? 23- O que foi o Romantismo no período inicial brasileiro e qual o seu contexto histórico que deu ensejo a escritura de Iracema? 24- Qual é a situaçãoinicial do texto Iracema? 25- Qual o desfecho do livro Iracema?
As veias abertas da América Latina ( Prólogo e capitulo 1) https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4194484/mod_resource/content/1/As%20veias%20abertas%20da%20Am%C3%A9rica%20Latina.pdf Questões: 1 -O que o escritor uruguaio Eduardo Galeano pretendia ao escrever o livro As Veias Abertas da América Latina? 2- Por que a América Latina, incluindo o Brasil ainda é uma região de Veias abertas? 3-Relacione o livro As veias abertas da América Latina com os dias atuais e com a época do romance de José de Alencar: 4- Por que segundo o autor os latinos americanos vivem numa subamérica? 5-Porque o autor fala que na nossa derrota está implícita na vitória alheia? 6- Explique a frase “ A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema”( p. 14). Você acha que isso ainda ocorre, ou era a penas no tempo de Iracema? 7-Por que o autor diz que os latinos americanos foram condenados a ser burros de carga? 8- O que o autor chama de hipoteca da nossa soberania no Livro? 9- “A prata levada para a Espanha em pouco mais de um século e meio excedia três vezes o total das reservas europeias. E essas cifras não incluem o contrabando. Os metais arrebatados aos novos domínios coloniais estimularam o desenvolvimento europeu e até se pode dizer que o tornaram possível.” ( p.25)Explique a frase de Galeano e compare com os dias atuais. 10- Explique a frase e diga se ela também se aplica a Portugal : “a Espanha é como a boca que recebe os alimentos, mastiga-os e os tritura para logo enviá-los aos demais órgãos, e deles não retém senão um gosto furtivo ou as partículas que casualmente aderem aos seus dentes” (p. 25) 11-Explique a citação feita por Galeano “O descobrimento das jazidas de ouro e prata da América, a cruzada de extermínio, escravização e sepultamento das minas da população aborígine, o começo da conquista e o saque das Índias Orientais, a conversão do continente africano em campo de caça dos escravos negros: são todos fatos que assinalam a alvorada da era da produção capitalista. Esses processos ‘idílicos’ representam outros tantos fatores fundamentais no movimento de acumulação originária”( p. 30) 12- Na página (30) a frase “À rapinagem dos tesouros acumulados seguiu-se a exploração sistemática, nos socavões e jazidas, do trabalho forçado dos indígenas e dos escravos negros arrancados da África pelos traficantes. A Europa precisava de ouro e prata. Os meios de pagamento em circulação se multiplicavam sem cessar e era necessário alimentar os movimentos do capitalismo na hora do parto: os burgueses se apoderaram das cidades e fundavam bancos, produziam e intercambiavam mercadorias, conquistando mercados novos.” Você acha que isso ainda ocorre, ou tudo mudou? 13- Explique a frase : “O poder estava concentrado em poucas mãos, que enviavam para a Europa metais e alimentos, e da Europa recebiam artigos voluptuários, em cuja fruição empregavam suas crescentes fortunas. As classes dominantes não tinham o menor interesse em diversificar as economias internas nem em elevar os níveis técnicos e culturais da população: era outra sua função na engrenagem internacional para a qual atuavam, e a imensa miséria popular, tão lucrativa do ponto de vista dos interesses reinantes, impedia o desenvolvimento de um mercado interno de consumo.” 14- Segundo Galeano, “Os turistas adoram fotografar os indígenas do altiplano vestidos com suas roupas típicas. Ignoram, por certo, que a atual vestimenta indígena foi imposta por Carlos III em fins do século XVIII. Os trajes femininos que os espanhóis obrigaram as índias a usar eram cópias dos vestidos regionais das lavradoras estremenhas, andaluzas e bascas, e outro tanto ocorre com o penteado das índias, repartido ao meio, imposto pelo vice-rei Toledo.”, o que você acha dessa imposição cultural? Era correta essa atitude ou isso é somente fruto do poder dos Europeus sobre a colônia? 15- O relato abaixo ainda pode ser visto explique com suas informações atualizadas: “A caça aos índios foi desencadeada, nos últimos anos, com furiosa crueldade; a maior floresta do mundo, gigantesco espaço tropical aberto à lenda e à aventura, converteu-se, simultaneamente, no cenário de um novo sonho americano. Em ritmo de conquista, homens e empresas dos Estados Unidos avançaram sobre a Amazônia como se fosse um novo Far West. Essa invasão norte-americana incendiou como nunca a cobiça dos aventureiros brasileiros. Os índios morrem sem deixar rastro e as terras são vendidas em dólares aos novos interessados. O ouro e outros minerais de valor, a madeira e a borracha, riquezas cujo valor comercial os nativos ignoram, aparecem vinculadas aos resultados de cada uma das escassas investigações que se procederam. Sabe-se que os indígenas foram metralhados desde helicópteros e pequenos aviões, que lhes foi inoculado o vírus da varíola, que foi lançado dinamite sobre suas aldeias e que lhes foram presenteados açúcar misturado com estricnina e sal com arsênico”.(p.47) 16 - No subitem “Vila Rica de Ouro Preto: a Potosí de ouro”, Galeano explica a questão do Brasil: Resuma em linhas gerais o que ele afirma. 17- A “Contribuição do ouro do Brasil para o progresso da Inglaterra” foi fundamental para este país, explique com base no livro as relações de Portugal com a Inglaterra e o rastro que isso deixou no Brasil. 18- “Condenados inflexivelmente à pobreza, em função do progresso alheio, os povos mineiros “incapazes” se isolaram e tiveram de se resignar em arrancar seus alimentos das pobres terras já despojadas de metais e pedras preciosas.” ( p.54) .Interprete a frase do livro levando em conta o que ocorreu no Brasil depois do ciclo do ouro com produtos como borracha, café, soja e petróleo do pré-sal e hoje ainda a nova busca por ouro no Amazonas:

segunda-feira, 23 de maio de 2022

O Renascimento

"O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o mundo medieval. Características do Renascimento A razão,de acordo com o pensamento da Renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus (neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o privilégio dado às ações humanas, ou humanismo. Tal característica representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo. Relação com a burguesia e o individualismo Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia, que floresceu desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de transformação privilegiado pelo Renascimento. Ainda é interessante ressaltar que muitos burgueses, ao entusiasmarem-se com as temáticas do Renascimento, financiavam muitos artistas e cientistas surgidos entre os séculos XIV e XVI. Além disso, podemos ainda destacar a busca por prazeres (hedonismo) como outro aspecto fundamental que colocava o individualismo da modernidade em voga. As cidades italianas e o mecenato A aproximação do Renascimento com a burguesia foi claramente percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio, onde a intensa circulação de riquezas e ideias promoveu a ascensão de uma notória classe artística italiana. Até mesmo algumas famílias comerciantes da época, como os Médici e os Sforza, realizaram o mecenato, ou seja, o patrocínio às obras e estudos renascentistas. A profissionalização desses renascentistas foi responsável por um conjunto extenso de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o Trecento, o Quatrocento e Cinquecento. Cada período abrangia respectivamente uma parte do período que vai do século XIV ao XVI. Períodos do Renascimento Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca (“De África” e “Odes a Laura”) e Dante Alighieri (“Divina Comédia”), bem como as pinturas de Giotto di Bondoni (“O beijo de Judas”, “Juízo Final”, “A lamentação” e “Lamento ante Cristo Morto”). Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura). Leonardo da Vinci foi um dos maiores expoentes do Renascimento Na fase final do Renascimento, o Cinquecento ganhou grandes proporções, dominando várias regiões do continente europeu. Em Portugal, podemos destacar a literatura de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha, os quadros de Albrercht Dürer (“Adão e Eva” e “Melancolia”) e Hans Holbein (“Cristo morto” e “A virgem do burgomestre Meyer”). A literatura francesa teve como seu grande representante François Rabelais (“Gargântua e Pantagruel”). No campo científico, devemos destacar o rebuliço da teoria heliocêntrica defendida pelos estudiosos Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno. Tal concepção abalou o monopólio dos saberes, até então controlados pela Igreja. Impacto do Renascimento Ao abrir o mundo à intervenção do homem, o Renascimento sugeriu uma mudança da posição a ser ocupada pelo homem no mundo. Ao longo dos séculos posteriores ao Renascimento, os valores por ele empreendidos vigoraram ainda por diversos campos da arte, da cultura e da ciência. Graças a essa preocupação em revelar o mundo, o Renascimento suscitou valores e questões que se fizeram presentes em outros movimentos concebidos ao longo da história ocidental. Por Rainer Sousa Graduado em História Veja mais em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm

2 ano ( Romantismo 2 e 3 fase)

Conteúdo REtirado de : https://www.normaculta.com.br/romantismo/ Segunda geração do Romantismo - Ultrarromantismo Decorrida entre 1853 e 1869, a segunda geração do Romantismo no Brasil ficou conhecida como a geração do mal do século, marcada pelo pessimismo e pelo sofrimento decorrentes da tuberculose. Ficou também conhecida como a geração ultrarromântica, por acentuar os ideais românticos de sentimentalismo, ou a geração byroniana, por se inspirar no escritor britânico Lord Byron. Características da segunda geração romântica Egocentrismo e individualismo; Subjetivismo e sentimentalismo; Saudade e nostalgia; Sofrimento por amor; Tédio e à fuga da realidade; Negativismo e desilusão; Morte e melancolia. Autores e obras da segunda geração romântica Autores Obras Álvares de Azevedo Poesias (1853) Lira dos Vinte Anos (1853) Noite na Taverna (1855) Casimiro de Abreu Meus Oito Anos (1857) As Primaveras (1859) Fagundes Varela Noturnas (1861) Cântico do Calvário (1863) Junqueira Freire Inspirações do Claustro (1855) Contradições Poéticas (1855) Meus Oito Anos Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida, Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! […](Casimiro de Abreu) Se Eu Morresse Amanhã Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã, Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! […] (Álvares de Azevedo) Terceira geração do Romantismo - Condoreirismo Decorrida entre 1870 e 1880, a terceira geração do Romantismo no Brasil ficou conhecida como a geração condoreira, por inspiração na ave de rapina sul-americana condor, que representa a liberdade. Ficou também conhecida como a geração hugoana, inspirada no escritor francês Victor Hugo. Características da terceira geração romântica Construção de uma poesia social; Foco nos problemas políticos e sociais; Luta pela abolição da escravatura; Oposição à escravidão e à opressão; Defesa de um governo republicano; Ideais de justiça, igualdade e liberdade; Erotismo, pecado e negação do amor platônico. Autores e obras da terceira geração romântica Autores Obras Castro Alves O Navio Negreiro (1869) Espumas Flutuantes (1870) Os Escravos (1883) Joaquim de Sousa Andrade (Sousândrade) O Guesa (1871) Harpas Selvagens (1857) Joaquim Nabuco de Araújo O Abolicionismo (1883) Escravos (1886) O Navio Negreiro [...] Existe um povo que a bandeira empresta P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto!... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares! (Castro Alves) Fim do Romantismo no Brasil O fim do Romantismo no Brasil teve como marco a publicação do romance realista Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, em 1881. Conteúdo retirado : https://www.normaculta.com.br/romantismo/

Trovadorismo em Portugal

"Resumo Foi um movimento poético-musical; Desenvolveu-se na Idade Média, entre os séculos XI e XIV; As composições chamavam-se cantigas e eram geralmente acompanhadas de música e dança; Cantigas de amor (cavaleiro declara amor e coita à dama); Cantigas de amigo (sempre na voz feminina); Cantigas de escárnio (ironia e crítica indireta);  Cantigas de maldizer (ofensivas e diretas, citando nomes); As cantigas chegaram aos nossos dias graças ao Cancioneiros; Os trovadores oficiais tinham linhagem nobre, incluindo reis, mas havia também os jograis, nascidos nas camadas populares; Apreciada pela corte, a obra trovadoresca foi importante instrumento de consolidação da cultura e do idioma português." Veja mais em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/trovadorismo.htm "Cantigas As cantigas dividem-se em dois tipos: lírico e satírico. Cantigas líricas Cantigas líricas são as de temática amorosa, e possuem dois tipos: cantigas de amor e cantigas de amigo. Cantigas de amor Gênese da poesia amorosa que surgiria nos séculos seguintes, a cantiga de amor é cantada em 1ª pessoa. Nela, o trovador declara seu amor por uma dama, geralmente acometido pela coita, a dor amorosa diante da indiferença da amada. A confissão amorosa é direta, e o trovador comumente dirige-se à dama como “mia senhor” ou “mia senhor fremosa” (“minha senhora” ou “minha formosa senhora”), em analogia às relações de senhorio e vassalagem medievais. O apaixonado é, portanto, servo e vassalo da amada e enuncia seu amor com insistência e intensidade. Mesura1 seria, senhor2, de vos amercear3 de mi, que vós em grave4 dia vi, e em mui grave voss’amor, tam grave que nom hei poder d’aquesta coita mais sofrer de que muit’há fui sofredor. Pero sabe Nostro Senhor que nunca vo-l’eu mereci, mais sabe bem que vós servi, des que vos vi, sempr’o melhor que nunca pudi fazer; por em querede-vos doer de mim, coitado pecador. [...] (D. Dinis, em Cantigas de D. Dinis, B 521b, V 124) [1] mesura: “cortesia” [2] senhor: “senhora”. Os sufixos terminados em “or” não possuíam flexão feminina. [3] amercear: “compadecer-se, sentir compaixão” [4] grave: “difícil, infeliz” Nessa cantiga, o trovador espera que a dama tenha a cortesia de sentir compaixão por ele. Sofrendo, diz que foi infeliz o dia em que a conheceu e mais infeliz ainda o amor que por ela sentiu, tão difícil que não pode mais sofrer da coita, pois que há muito é sofredor. Sabe Deus que ele nunca mereceu esse sofrimento, sabe Deus que ele sempre ofereceu à dama o seu melhor e diz que ela é que quer vê-lo padecer, coitado pecador. Cantigas de amigo Embora compostas por trovadores homens, representam sempre uma voz feminina. É a dama quem vai expor seus sentimentos, sempre de maneira discreta, pois, para o contexto provençal, o valor mais importante de uma mulher é a discrição. A donzela dirige-se por vezes à sua mãe, a uma irmã ou amiga, ou ainda a um pastor ou alguém que encontre pelo caminho. Existem sete categorias de cantigas de amigo: - as albas, que cantam o nascer do Sol; - as bailias, que cantam a arte da dança; - as barcarolas, de temática marítima; - as pastoreias, de temática bucólica; - as romarias, de celebração religiosa; - as serenas, que cantam o pôr do Sol; - as de pura soledade, que não se enquadram em nenhum dos temas anteriores. Oy eu, coytada, como vivo em gran cuydado por meu amigo que ey alongado! Muito me tarda o meu amigo na Guarda Oy eu, coytada, como vivo em gran desejo por meu amigo que tarda e non vejo! Muyto me tarda o meu amigo na Guarda (D. Sancho I ou Alfonso X [autoria duvidosa], Cancioneiro da Biblioteca Nacional, B 456) Nessa cantiga, verifica-se que a donzela também sofre as penosas dores do amor, da distância entre ela e o amado, oficial da guarda, que há muito não vê. Percebemos, entretanto, que o discurso amoroso é mais sutil, não é dirigido diretamente ao rapaz; trata-se de um lamento de saudade. Cantigas satíricas Destinam-se a ironizar ou difamar determinada pessoa. Existem dois tipos de cantigas satíricas: as de escárnio e as de maldizer. Cantigas de escárnio São mais irônicas e trabalham sobretudo com trocadilhos e palavras de duplo sentido, sem mencionar diretamente nomes. São críticas indiretas: é um “mal dizer” de maneira encoberta, insinuada. Ai dona fea, fostes-vos queixar que vos nunca louv'en[o] meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei todavia; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! Dona fea, se Deus mi perdom, pois havedes [a]tam gram coraçom que vos eu loe, em esta razom vos quero já loar todavia; e vedes qual será a loaçom: dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei em meu trobar, pero muito trobei; mais ora já um bom cantar farei em que vos loarei todavia; e direi-vos como vos loarei: dona fea, velha e sandia! (João Garcia de Gilhade, Cancioneiro da Biblioteca Nacional, B 1485 V 1097) Nessa cantiga de escárnio, o trovador responde a uma dama que se teria queixado de nunca ter recebido dele nenhuma trova. Irônico, ele diz que fará, então, uma cantiga para louvá-la, chamando-a “dona feia, velha e louca [sandia]”. Cantigas de maldizer São aquelas em que os trovadores apontam direta e nominalmente o alvo de suas sátiras, de forma propositalmente ofensiva e fazendo uso de vocabulário grosseiro. Da mulher vossa, ó meu Pero Rodrigues Jamais creiais no mal que falam dela. Pois bem sei eu que ela por vós mui zela, Quem não vos quer vos traz somente intrigas! Pois quando deitou ela em minha cama, A mim mui bem de ti ela falava, Se a mim deu o corpo, é a vós quem ela ama. (Martim Soares, versão de Rodrigues Lapa, em Crestomatia arcaica) Veja também: Humanismo: período de grande desenvolvimento da literatura Cancioneiros As cantigas do trovadorismo chegaram até nosso conhecimento pelo registro dos Cancioneiros. Trata-se de livros, geralmente manuscritos, que são compilados com as letras e, às vezes, notações musicais das canções, além de ilustrações. São três os principais Cancioneiros. Cancioneiro da ajuda: compilação de textos do século XIII, foi descoberto na biblioteca do Colégio dos Nobres apenas no início do século XIX. Possui 310 cantigas, em sua maioria de lírica amorosa, e permaneceu inacabado, o que é perceptível por possuir iluminuras com as pinturas incompletas ou ainda apenas com o desenho traçado. Folha do manuscrito do Cancioneiro da ajuda, conjunto de poemas escritos no século XII. [1] Cancioneiro da Biblioteca Nacional: manuscrito copiado na Itália no começo do século XVI, por inciativa do humanista Angelo Colocci, com base em outro manuscrito de origem medieval desconhecida. Contém 1560 poemas de cerca de 150 trovadores e menestréis galego-portugueses, compostos entre os séculos XII e XIV, nos gêneros lírica amorosa e sátira. Cancioneiro da Vaticana: também copiado por Angelo Colocci, na Itália, recebe esse nome por ter sido encontrado na Biblioteca do Vaticano. É composto de 1205 cantigas, das quais 138 são de autoria de D. Dinis."
"Características do trovadorismo As obras do trovadorismo são chamadas cantigas, pois eram escritas para serem declamadas (não havia cultura do livro na Idade Média, a população era em grande parte analfabeta e ainda não havia sido inventado o livro impresso), e frequentemente eram acompanhadas de instrumentos musicais, como a lira, a flauta, a viola. Enquanto o compositor (de origem) era chamado de trovador, o músico era chamado de menestrel. Chamava-se segrel o trovador profissional, cavaleiro que ia de corte em corte divulgando suas cantigas em troca de dinheiro. Havia ainda o jogral, cantor de origem popular que interpretava cantigas de outrem e compunha as suas próprias. As baladeiras ou soldadeiras eram as dançarinas e cantoras que também os acompanhavam nas apresentações e dramatizações das cantigas. " Veja mais em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/trovadorismo.htm Veja mais em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/trovadorismo.htm

segunda-feira, 16 de maio de 2022

O humanismo

O Humanismo foi um movimento literário de transição entre a Idade Média e o Renascimento. Muitos estudiosos nem o consideram como movimento literário por ele não possuir características próprias, ou seja, esse período e suas produções carregavam traços do movimento medieval em decadência (o Trovadorismo) e do movimento moderno em ascensão (o Renascimento). Assim, é possível verificar, nas obras literárias desse período, uma mescla do velho e do novo modo de pensar da humanidade da época. Tópicos deste artigo 1 - Influências 2 - → Características do movimento 3 - → Principais produções literárias 4 - → Principais autores Influências O Humanismo teve como grande influência fatores sociais e econônomicos. Com a formação de uma nova classe social, a burguesia, os comerciantes começaram a competir com os nobres e ganharam importância na sociedade. Além disso, com a expulsão dos camponeses pelos senhores feudais, houve um período de muita fome e doenças, como a Peste Negra, que matou um terço da população da Europa. Essa época foi marcada também por um período político chamado Absolutismo, quando o poder, anteriormente descentralizado nas mãos dos senhores feudais, passou para as mãos dos reis. Outra influência importante foi a queda da hegemonia da Igreja, a qual passou a ser criticada inclusive por seus seguidores, fato que colaborou para uma visão antropocêntrica em oposição ao teocentrismo, ou seja, o pensamento religioso, que até então possuía uma visão teocêntrica (teos = Deus – estaria no centro das preocupações humanas) deu lugar a uma visão antropocêntrica (anthropos = homem – estaria no centro das realizações do universo humano). → Características do movimento Teocentrismo x Antropocentrismo; Separação entre a música e a poesia; Cientificismo; Descrição da figura humana (inclusive a mulher), suas expressões, detalhes e proporções; Descoberta da natureza, dos campos, das florestas, das montanhas, considerados refúgios para as mágoas do amor; Descentralização do conhecimento, até então controlado pela Igreja Católica; Apoio aos valores cristãos e medievais. → Principais produções literárias Poesia humanista: possuía as mesmas características das cantigas trovadorescas, mas houve uma separação entre a música e a poesia, que passou a ser feita para ser declamada nos palácios e ficou conhecida como poesia palaciana. Crônicas históricas: tinham como objetivo relatar a vida dos reis por meio de documentos históricos, por isso houve uma busca de rigor e objetividade, embora ainda se atribuísse aos reis toda a iniciativa pelos feitos históricos. Novelas de cavalaria: eram histórias ficcionais, de aventuras, em que os personagens demonstravam heroísmo, lealdade e religiosidade. Textos teatrais: eram divididos em autos ou farsas. Os autos eram peças curtas que representavam cenas bíblicas. As farsas tratavam do cotidiano da sociedade da época e possuíam comicidade exagerada ao retratar tipos e costumes sociais. → Principais autores Francesco Petrarca Dante Alighieri Giovanni Bocaccio Erasmo Roterdã Fernão Lopes Michel Montaigne Gil Vicente Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja: RIGONATTO, Mariana. "O que foi o Humanismo?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/portugues/o-que-foi-humanismo.htm. Acesso em 23 de maio de 2022.

O trovadorismo em Portugal - https://youtu.be/_TR6CsD2Vho