terça-feira, 2 de agosto de 2022
Material para a 3 etapa de 1 ano.
Tipos textuais
Os tipos textuais, ou tipologia textual, apresentam propriedades linguísticas intrínsecas nas quais se apoiam os diversos gêneros.
Os tipos textuais são: narração, descrição, dissertação, exposição e injunção. Os diversos gêneros apoiam-se na tipologia textual
Chamamos de tipos textuais o conjunto de enunciados organizados em uma estrutura bem definida, facilmente reconhecida por suas características preponderantes. Podem variar entre cinco e nove tipos, sendo que os mais estudados são a narração, a argumentação, a descrição, a injunção e a exposição.
A tipologia textual, diferentemente do que acontece com os gêneros textuais, apresenta propriedades linguísticas intrínsecas, como o vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais e outras características que definem os gêneros. Estes, por sua vez, surgem do dinamismo das relações sociocomunicativas e da necessidade dos falantes em um dado contexto cultural, enquanto os tipos já estão definidos, prontos para receberem os diversos gêneros em sua estrutura. Observe a definição de cada um dos tipos e seus exemplos. Bons estudos!
Narração: A principal característica de uma narração é contar uma história, ficcional ou não, geralmente contextualizada em um tempo e espaço, nos quais transitam personagens. Os gêneros que se apropriam da estrutura narrativa são: contos, crônicas, fábulas, romance, biografias etc.
“[...] No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez [...]”. (Fragmento do conto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector).
Dissertação: O texto dissertativo-argumentativo é um texto opinativo, cujas ideias são desenvolvidas através de estratégias argumentativas que têm por finalidade convencer o interlocutor. Os gêneros que se apropriam da estrutura dissertativa são: ensaio, carta argumentativa, dissertação-argumentativa, editorial etc.
“[...] A súbita louvação do nosso Judiciário serve para encobrir a verdade factual, a começar pelo emprego de pesos e medidas opostos no julgamento dos mais diversos gêneros de corrupção política. Até o mundo mineral sabe desta singular situação, pela qual a casa-grande goza da leniência da Justiça, em todos os níveis de atividade [...]” . (Fragmento de um editorial publicado na revista Carta Capital).
Exposição: Tem por finalidade apresentar informações sobre um objeto ou fato específico, enumerando suas características através de uma linguagem clara e concisa. Os gêneros que se apropriam da estrutura expositiva são: reportagem, resumo, fichamento, artigo científico, seminário etc.
“[...] Em Poá, região metropolitana de São Paulo, quatro mulheres desenvolvem a difícil e honrosa missão de comandar, cada uma, uma casa com nove crianças. Chamadas de mães-sociais, elas são cuidadoras permanentes de crianças que foram destituídas de seus lares por causa de maus-tratos, abuso ou falta de cuidados [...]”. (Fragmento de uma reportagem publicada na revista Carta Capital).
Injunção: Os textos injuntivos têm por finalidade instruir o interlocutor, utilizando verbos no imperativo para atingir seu intuito. Os gêneros que se apropriam da estrutura injuntiva são: manual de instruções, receitas culinárias, bulas, regulamentos, editais etc.
“[...] Não instale nem use o computador em locais muito quentes, frios, empoeirados, úmidos ou que estejam sujeitos a vibrações. Não exponha o computador a choques, pancadas ou vibrações, e evite que ele caia, para não prejudicar as peças internas [...]”. (Manual de instruções de um computador).
Descrição: Os textos descritivos têm por objetivo descrever objetivamente ou subjetivamente coisas, pessoas ou situações. Os gêneros que se apropriam da estrutura descritiva são: laudo, relatório, ata, guia de viagem etc. Também podem ser encontrados em textos literários através da descrição subjetiva:
“[...] Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. [...]”. (Fragmento do conto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector).
“[...] É na parte alta que fica o colorido Pelourinho, bairro histórico e tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Em suas ruas e vielas estão centenas de casarões dos séculos 17 e 18 que abrigam de museus a terreiros de candomblé, além de templos católicos que atraem estudiosos do mundo todo – é o caso da igreja de São Francisco, considerada a obra barroca mais rica do país [...]”. (Descrição objetiva de um guia de viagem).
Romance
Romance é um gênero textual que consiste em uma narrativa longa, escrita em prosa. Seu surgimento e popularidade remete ao século XVIII, quando ele tomou o lugar das epopeias (longas narrativas em verso).
Por tratar-se de uma narrativa, o romance possui uma ação, lugar onde ela ocorre, tempo em que ela acontece, personagens que a realizam, uma trama e um ponto de vista, isto é, a perspectiva do narrador.
Os tipos de romance são:
• monofônico,
• polifônico,
• fechado,
• aberto,
• linear ou progressivo,
• vertical ou analítico,
• psicológico.
Leia também: Conto – gênero que se caracteriza principalmente por ser uma narrativa curta
Conceito de romance
Os romances consistem em narrativas longas que podem contar as mais diversas histórias.
Tudo indica que o termo “romance” tem origem na palavra “romanice”, cujo significado está relacionado a qualquer obra escrita em romanço (língua falada nas regiões ocupadas pelos romanos). Porém, foi a partir do século XVIII que o termo “romance” começou a ser utilizado com a acepção que conhecemos hoje, isto é, uma narrativa longa, escrita em prosa. Portanto, o romance e o romantismo surgiram ao mesmo tempo e parece terem sido feitos um para o outro.
Ao contrário dos poemas épicos, o romance surgiu para representar pessoas comuns e ser o reflexo do povo. Dessa forma, é um gênero textual que, segundo o crítico Massaud Moisés, foi porta-voz das ambições, desejos e vaidades da burguesia em ascensão, além de servir como fuga da realidade. Era, então, um espelho idealizado dessa classe. Na atualidade, a burguesia não é mais a única classe a ser representada nas obras de autores e autoras contemporâneos.
Principais características do romance
O romance é uma narrativa longa, escrita em prosa e possui a seguinte estrutura:
• Ação: série de acontecimentos que se combinam para formar o enredo da obra.
• Lugar: espaços físicos em que transcorre a ação.
• Tempo: o “quando” da ação, as datas dos acontecimentos, ou mesmo a duração dos fatos narrados:
- Tempo cronológico: a ação respeita o tempo físico, isto é, a sequência de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. Assim, o tempo transcorre com regularidade, com linearidade.
- Tempo psicológico: não está relacionado ao espaço, mas ao interior, à mente das personagens. É, portanto, o tempo mental, do pensamento, em que presente, passado e futuro às vezes anulam-se.
• Personagens: realizam a ação:
- Personagem plana: comum e previsível.
- Personagem redonda ou esférica: complexa e imprevisível.
• Trama: a história narrada, o enredo.
• Ponto de vista: foco narrativo, a perspectiva de quem narra:
- Narrador personagem (em primeira pessoa): participa da história.
- Narrador observador (em terceira pessoa): narra apenas o que ele observa.
- Narrador onisciente ou onipresente (em terceira pessoa): possui total conhecimento dos fatos narrados e das personagens.
Leia também: Graciliano Ramos – autor que inovou a produção de romances regionais
Tipos de romance
• Romance monofônico
O foco narrativo está sobre uma personagem, o protagonista:
“Aos dias difíceis, que tenho passado no correr dos tempos, sempre se sucederam dias repousantes, sem problemas, durante os quais todos os fantasmas se desvanecem e os velhos temas torturantes deixam a tona da consciência, [...].”
O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos.
• Romance polifônico
O foco narrativo está sobre várias personagens. Um exemplo é o romance Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso (1912-1968), que concede o protagonismo a várias personagens, como é possível verificar, por exemplo, nos primeiros cinco capítulos da obra:
1. Diário de André (conclusão).
2. Primeira carta de Nina a Valdo Menezes.
3. Primeira narrativa do farmacêutico.
4. Diário de Betty (I).
5. Primeira narrativa do médico.
• Romance fechado
O narrador fornece todas as informações, não deixa espaço (abertura) para a imaginação dos leitores:
“E só me resta chegar rapidamente ao desenlace desta narração singular com a qual tratei de conseguir que o leitor compartilhasse os medos escuros e as vagas conjecturas que ensombreceram, durante tantas semanas, nossas vidas e que concluíram de maneira tão trágica. Na manhã seguinte se levantou a névoa e a senhora Stapleton nos levou até o lugar onde ela e seu esposo tinham encontrado um caminho praticável para penetrar no pântano. [...]. Holmes afundou-se até a cintura ao sair do caminho para pegá-lo [um objeto escuro], e se não estivéssemos ali para ajudá-lo, nunca voltaria a colocar o pé em terra firme. O que levantou no ar foi uma bota velha de cor preta. “[...]” estava impresso no interior do couro.|1|”
O cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle.
O romance policial é um típico exemplo de romance fechado.
• Romance aberto
Nem tudo é expresso, o narrador deixa lacunas a serem preenchidas pelos leitores. Como, a misteriosa acusação que sofre Josef K., personagem do romance O processo, de Franz Kafka (1883-1924):
“Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã. A cozinheira da senhora Grubach, sua senhoria, que lhe trazia o café da manhã todos os dias bem cedo, por volta das oito horas, desta vez não aparecera.|2|”
• Romance linear ou progressivo
Os acontecimentos que formam o enredo são mais importantes do que a reflexão:
“O senhor Sherlock Holmes, que sempre se levantava muito tarde, exceto nas ocasiões nada raras em que não dormia por toda a noite, estava tomando o café. Eu, que me achava de pé perto da chaminé, agachei-me para pegar a bengala esquecida por nosso visitante da noite anterior. [...]. Era exatamente a classe de bengala que costumavam levar os antigos médicos de cabeceira: digna, sólida e que inspirava confiança.
— Vejamos, Watson, a que conclusões chega?”|1|
O cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle.
• Romance vertical ou analítico
A ação é auxiliar, no contexto geral da obra, pois o principal objetivo é refletir sobre o impacto dessa ação nas personagens:
“Quaresma viveu lá, no manicômio, resignadamente, conversando com os seus companheiros, onde via ricos que se diziam pobres, pobres que se queriam ricos, sábios a maldizer da sabedoria, ignorantes a se proclamarem sábios; [...].
Saiu o major mais triste ainda do que vivera toda a vida. De todas as coisas tristes de ver, no mundo, a mais triste é a loucura; é a mais depressora e pungente.
Aquela continuação da nossa vida tal e qual, com um desarranjo imperceptível, mas profundo e quase sempre insondável, que a inutiliza inteiramente, faz pensar em alguma coisa mais forte que nós, que nos guia, que nos impele e em cujas mãos somos simples joguetes.”
Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.
• Romance psicológico
Está centrado no funcionamento da mente humana, nos pensamentos do narrador ou das personagens, na forma como eles entendem o mundo exterior. É caracterizado, portanto, pela análise psicológica e pelos fluxos de consciência. Assim, ao contrário do romance vertical ou analítico, ele não está condicionado à ação, pois a reflexão, a análise está voltada para o mundo íntimo, os sentimentos e memórias do narrador ou personagens:
“[...], primeiro porque travava conhecimento com a cunhada (e quem sabe por que meios, por que secretas afinidades conseguiria transformá-la numa aliada?), segundo porque, no íntimo, devia tramar alguma coisa contra os irmãos. Ah, essa raça de Meneses era bem minha conhecida. No entanto, de pé, procurava em vão imaginar por que aquela visita lhe causava um tão extraordinário prazer. Que secreta partida jogava ele, [...]?”
Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso.
Notas
|1| Tradução (de edição em espanhol) para o português: Warley Souza.
|2| Tradução de Marcelo Backes.
Conto
O conto é um gênero literário marcado pela concisão. Tais narrativas têm, em geral, poucos personagens, espaço e tempo restritos e um conflito único.
“Todos têm uma história”. Em um conto, dos temas mais complexos aos mais simples são narrados. Qualquer um pode construí-lo!
O conto é um dos mais tradicionais gêneros literários e um dos mais lidos pelo público na atualidade. Por ser curto, esse tipo de texto tem alcançado cada vez mais espaço, circulando em redes sociais e blogs pela internet.
Autores clássicos da literatura brasileira, tais como Machado de Assis ou Mário de Andrade, ganharam notoriedade por serem excepcionais contistas. O gênero tem, hoje, diversas subdivisões, tais como “contos de ficção científica”, “infantojuvenis”, “fantásticos”, “de fada”, entre tantas outros.
As principais características do conto são a presença dos elementos tradicionais da narrativa – personagens, tempo, espaço e enredo – em suas formas concisas, conforme explicaremos a seguir.
Acesse também: Conheça a tipologia textual de que o conto faz parte.
Características do gênero
O conto pode ser definido como uma narrativa curta e com um único conflito. Isso significa que, nessas histórias, há poucos personagens, o tempo e o espaço são reduzidos ao essencial e, além disso, o enredo (a sequência de ações pelas quais os personagens passam) é marcado pela existência de um único acontecimento relevante. Dessa forma, em geral, os contos apresentam apenas um clímax (aquele momento de maior tensão da narrativa).
Veja, a seguir, um trecho do conto Negrinha, de Monteiro Lobato:
Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados.
Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças.
Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo.
Ótima, a dona Inácia.
Mas não admitia choro de criança. [...]
Note-se que, nesse trecho – parte inicial do conto de Monteiro Lobato – já é possível perceber todos os elementos do conto: As poucas personagens – Negrinha e Dona Inácia – vivem um enredo que ocorre em uma fazenda alguns anos após a libertação dos escravos. Isso é perceptível porque nos é dito que a mãe de Negrinha era uma escrava de Dona Inácia. O conflito único que percorre todo o enredo é deflagrado, por sua vez, na frase “Ótima, a dona Inácia. Mas não admitia choro de criança”. Aqui, percebemos que a questão central do conto é a relação abusiva que existia entre as duas personagens centrais.
Tipos de conto
Existem diversos tipos de conto, e a categorização dessas subdivisões do gênero devem-se a diversos fatores, tais como o tipo de personagem, a época em que o enredo ocorre, ou ainda o público. Listamos, a seguir, alguns tipos de conto:
• Conto de ficção científica: caracterizado por ter, em seu enredo, elementos que não existem em nossa realidade, mas que poderiam existir devido ao avanço científico e tecnológico.
• Conto infantojuvenil: narrativas voltadas para jovens e crianças. Normalmente, a linguagem utilizada nesses contos é mais simples, e as temáticas são relacionadas a conflitos comuns na vida de seus leitores-alvo.
• Conto fantástico: com personagens e acontecimentos impossíveis na realidade e não explicados na narrativa, esses contos têm conquistado cada vez mais leitores.
• Conto de fadas: velho conhecido de muitas pessoas, o conto de fadas é marcado pela existência de fadas e outras criaturas mágicas entre suas personagens. Esse subgênero de conto é especialmente lido por crianças, embora existam narrativas assim voltadas para o público mais velho.
Leia também: Técnicas de estrutura da narrativa
Diferenças entre conto e crônica
É muito comum encontrarmos certas dificuldades para diferenciar os gêneros conto e crônica. Entretanto, é bom saber que eles não têm as mesmas características. O conto, como já dissemos, é uma narrativa curta e com um único conflito em seu enredo. A crônica, por outro lado, é um gênero discursivo que busca retratar o cotidiano e está ligado ao jornal.
Normalmente, as crônicas encontradas diariamente nas bancas tratam de assuntos corriqueiros da atualidade. O bom cronista é aquele que consegue contar o dia a dia de um modo específico e fascinante, com um ponto de vista singular. Alguns célebres escritores brasileiros – tais como Clarice Lispector ou Lima Barreto – foram, também, cronistas.
Narração
A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados por uma narração feita por um narrador.
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história.
Existem três tipos de foco narrativo:
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso ele é narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa.
- Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo que acontece e transmite ao leitor, a história é contada em 3 pessoa.
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando seus pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre).
É comum que o texto narrativo apresente a seguinte estrutura:
Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá.
Complicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, conduzindo ao clímax.
Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o desfecho inevitável.
Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens.
Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são elementos vitais.
As personagens são principais ou secundárias, conforme o papel que desempenham no enredo, podem ser apresentadas direta ou indiretamente.
A apresentação direta é quando o personagem aparece de forma clara no texto, retratando suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como vai fazendo.
Material para 2 ano - pré-modernismo e modernismo. ( 3 etapa)
>Fonte: https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/premodernismo.htm O
pré-modernismo Foi, como o próprio nome aponta, um período de transição no
universo artístico. Principalmente entre os anos de 1902 e 1922, houve uma
produção literária que não correspondia às escolas do realismo, do naturalismo,
do simbolismo ou do parnasianismo, tendências estéticas ainda correntes na
época. Essa produção foi chamada pré-moderna e recuperou algumas características
dos movimentos artísticos da época, ao mesmo tempo em que delineou aquilo que
depois seria conhecido como modernismo. Assim, o que se entende por
pré-modernismo é uma confluência de diversas produções que misturam tendências
literárias diferentes. Leia também: Mário de Andrade – importante autor da
primeira fase do modernismo no Brasil Contexto histórico do pré-modernismo A
virada do século XIX para o século XX correspondeu, no Brasil, a uma transição
do regime monárquico para o republicano. É o chamado período da República Velha,
muitas vezes também denominado de “República do Café com Leite”, graças à
oligarquia promovida pelos grandes latifundiários dos estados de São Paulo e
Minas Gerais. Eram eles os responsáveis por decidir os rumos da política e da
economia brasileiras. Também eram influentes outras camadas da classe dominante,
como o Exército e a burguesia industrial, que ganhava força especialmente em São
Paulo e no Rio de Janeiro. O surgimento do modo de produção industrial
brasileiro trouxe consigo o aumento da urbanização e criou novos estratos
sociais, como o proletariado e o subproletariado. Além disso, com a consolidação
da economia cafeeira, declinava cada vez mais a cultura de cana-de-açúcar no
Nordeste brasileiro. A escravatura, recém-abolida, escancarou as fronteiras do
país para a chegada de imigrantes europeus e asiáticos, com vistas a substituir
a mão de obra escrava nas lavouras. Os negros alforriados, por sua vez, não
tiveram qualquer direito à integração cidadã: três séculos de escravatura
naturalizaram socialmente essa condição e foram basilares para o racismo
estrutural como um dos componentes da fundação da república. Uma nova massa de
desempregados e desvalidos formava-se e agravavam-se as desigualdades sociais.
Criava-se um abismo cada vez maior entre o povo e os dirigentes da República,
que também, por sua vez, viam-se em um conflito de interesses: de um lado, o
grupo de latifundiários representantes do tradicionalismo agrário brasileiro,
até pouco tempo escravocrata; de outro, a burguesia industrial incipiente,
influenciável pelos fluxos financeiros e interesses do capital europeu e
estadunidense. Os primeiros anos do Brasil republicano ficaram também conhecidos
como período da República da Espada, marcado pelo autoritarismo do Exército e
por insurreições como a Revolta da Armada, a Guerra de Canudos e a Revolução
Federalista. Ilustração do Marechal Floriano Peixoto, segundo presidente da
república brasileira, e à direita, da Revolta da Armada, uma dentre as várias
insurreições da oligarquia republicana. Características do pré-modernismo O
pré-modernismo não foi uma escola ou uma tendência literária e congregou
produções muito distintas entre si. Assim, não há uma homogeneidade entre as
características das obras do período. Ainda assim, podemos citar algumas, que
aparecem ora em algumas produções, ora em outras. • Nacionalismo
crítico/temático: preferência pela abordagem das desigualdades sociais,
colocando em evidência um Brasil miserável e marginalizado, um Brasil não
oficial, que as promessas de modernização do governo republicano tentavam
encobrir. Além disso, já teve início um repúdio pelas escolas literárias
importadas da Europa, em busca de uma expressão artística de fato brasileira. •
Renovação da linguagem literária: alguns autores optaram pela incorporação de
elementos da linguagem coloquial na linguagem literária, ampliando o léxico das
obras para regionalismos, expressões populares, neologismos e gírias. Também
houve certa aproximação entre a linguagem literária e a jornalística. Outros
escritores, por sua vez, preferiram proposta diferente: a poetização da
linguagem científica. Pré-modernismo na Europa A virada do século XIX para o
século XX, na Europa, configurou outro contexto histórico e fez florescer outras
tendências estéticas. O fenômeno da industrialização, que no Brasil era ainda
muito inicial nesse período, já era uma realidade consolidada na Inglaterra e na
França, fazendo surgir grandes centros urbanos nesses países. Enquanto o Brasil
ainda vivia de modo predominantemente rural, os países europeus passavam por uma
segunda etapa da Revolução Industrial e, consequentemente, por grandes mudanças
na vida cotidiana, que já se anunciavam desde o final do século XVIII. A ideia
de modernidade, de inquietude e de transformação cultural já estava presente em
obras europeias de meados do século XIX, com destaque para a produção literária
de Charles Baudelaire (1821-1867), considerado um dos precursores da noção de
modernidade. No campo das artes visuais, o rompimento com o academicismo teve
início com o movimento impressionista, por volta das décadas de 1860 e 1870,
abrindo espaço para novas técnicas e novas maneiras de produção artística. Na
literatura, conviveram os movimentos do realismo, naturalismo, parnasianismo e
simbolismo – esse último absorveu ainda mais os tons crepusculares da virada do
século e das incertezas a respeito do futuro da humanidade, do mal-estar da
civilização industrial, da redução do ser humano em instrumento do mercado de
trabalho. Tudo isso preparou o terreno para que, nos primeiros anos do século
XX, a Europa começasse a vivenciar uma grande transformação no que diz respeito
à maneira como se produzia e se entendia o trabalho artístico. Assim, em 1905,
surgiu na Alemanha uma tendência estética chamada expressionismo, um dos
primeiros entre os diversos movimentos de vanguarda artística que deram início
ao que se chamou de arte moderna. Leia também: Modernismo em Portugal - períodos
e características Autores do pré-modernismo • Euclides da Cunha (1866-1909)
Gravura de Euclides da Cunha feita por Laudelino Freire. Engenheiro militar de
formação, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu em Cantagalo (RJ), em 20 de
janeiro de 1866. Discípulo de Benjamin Constant, que fundamentou seus ideais
republicanos, foi expulso da Escola Militar da Praia Vermelha em 1888 depois de
ter ofendido o ministro da Guerra do Império. Mudou-se para São Paulo, onde
passou a colaborar como escritor para o jornal A Província de São Paulo, que
mais tarde se tornaria o ainda em circulação O Estado de S. Paulo. Foi
reincorporado ao Exército depois da Proclamação da República, do qual se
desligou apenas em 1896. Trabalhou como engenheiro em diversas regiões do país.
Sua grande contribuição literária foi a obra Os sertões, publicada pela primeira
vez em 1902. Trata-se de um vasto compilado daquilo que presenciou enquanto
repórter d’O Estado de S. Paulo ao viajar para o sertão baiano durante a Guerra
de Canudos, em 1897. É um livro de não ficção que surpreende pelo hibridismo
entre as descrições poéticas do cenário natural, ao mesmo tempo que aborda
questões sociológicas, geográficas e científicas, unidas a vocabulários
sertanejos e brasileirismos. • Lima Barreto (1881-1922) Retrato de Lima Barreto,
um dos nomes centrais da literatura brasileira no período pré-modernista. Filho
de um tipógrafo e de uma professora primária, Afonso Henriques de Lima Barreto
nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881, e ficou órfão de mãe aos 7
anos. De origem humilde, foi jornalista e também funcionário público. Sua vida
pessoal foi tumultuada e atormentada pelas dificuldades em ser mestiço, pobre e
produzir literatura no meio intelectual fluminense. Acometido por crises de
depressão e alcoolismo, foi internado duas vezes no Hospício Nacional, onde
escreveu uma de suas grandes obras, Cemitério dos Vivos. Engajado em uma
literatura social, era profundamente avesso à oligarquia republicana, e seu
estilo literário envolvia um hibridismo entre os planos narrativo e crítico. Sua
obra mais famosa, publicada pela primeira vez em 1915, é Triste fim de Policarpo
Quaresma, que narra a trajetória de um protagonista patriota que, entre outros
arroubos de nacionalidade exacerbada, aprende tupi e defende que seja essa a
língua oficial brasileira. Policarpo tem uma postura quixotesca e seu triste fim
coincide com a revelação de que a pátria por ele tanto sonhada nunca existira. •
Monteiro Lobato (1882-1948) Estátua de Monteiro Lobato na entrada de Taubaté,
sua cidade natal. [1] José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, em 18 de
abril de 1882. Herdou a fazenda do avô, mas sem saber administrá-la, vendeu-a e
comprou a Revista do Brasil, mudando-se para São Paulo. A empreitada como editor
também não foi bem-sucedida, levando Lobato a mudar-se, em 1925, para Nova York,
onde trabalhou como adido comercial. Retornou para o Brasil em 1931 e fundou a
Companhia Petróleo do Brasil. Lobato tinha uma postura nacionalista,
conservadora, polemista e pouco receptiva às propostas modernistas da Semana de
1922. É mais conhecido por suas histórias voltadas ao público infantojuvenil,
principalmente a série de narrativas do universo do Sítio do Picapau Amarelo,
por ele criado. Mas escreveu também para adultos, com destaque para os livros de
contos Urupês, Cidades Mortas e Negrinha. Além dos contos, escreveu o romance O
choque das raças ou o presidente negro e muitos artigos e ensaios – sem dúvidas,
polêmicos. É dele o personagem Jeca Tatu, uma representação regionalista do
brasileiro caboclo do interior paulista, ligado à terra, um expoente das camadas
mais baixas da cultura agrícola nacional. • Augusto dos Anjos (1884-1914) O
paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 20 de abril de 1884,
em Engenho Pau d’Arco, e assinou uma obra especialmente ímpar e difícil de
enquadrar dentro da historiografia literária nacional. Filho de um bacharel,
estudou Direito em Recife, mas nunca exerceu a profissão: viveu publicando
artigos em jornais da Paraíba e lecionando Língua Portuguesa e Literatura, não
só em seu estado natal, como também no Rio de Janeiro, para onde se mudou em
1910. Publicou apenas um volume de poesias durante sua breve vida, intitulado Eu
(1912), cuja recepção crítica foi extremamente negativa. Dono de um vocabulário
rebuscado, composto de uma mistura de termos científicos e uma adjetivação
singularíssima, o poeta mesclou em seus versos tendências do parnasianismo, do
simbolismo, do naturalismo e do expressionismo, sem se encaixar plenamente em
nenhuma delas. Cantor das mais profundas angústias humanas, Augusto dos Anjos
foi um exímio sonetista e descreveu, em sua linguagem muito original, a morbidez
e a dissolução da matéria humana em versos tensos e violentos. • Graça Aranha
(1868-1931) Natural de São Luís (MA), João Pereira da Graça Aranha nasceu em 21
de junho de 1868. Foi romancista, ensaísta e magistrado, um dos fundadores da
Academia Brasileira de Letras e um dos mais influentes e comprometidos
escritores no que diz respeito à renovação artística nacional. Foi durante o
exercício da magistratura no interior do estado do Espírito Santo que o autor
delineou seu primeiro romance, intitulado Canaã e lançado em 1902. Nele o autor
retrata uma comunidade de imigrantes alemães em um povoado capixaba, e cujas
personagens têm posturas muito diferentes a respeito da vida. Graça Aranha
levanta, por meio das interações do romance, questões como o colonialismo
agressivo e imperialista, o pacifismo, o evolucionismo e o racismo, sendo
precursor de questões importantes do Brasil do século XX. Grande avesso ao
neoparnasianismo, conheceu o grupo modernista e foi um dos grandes patronos da
Semana de Arte Moderna de 1922. Pré-modernismo e o modernismo O termo
pré-modernismo foi proposto pela primeira vez em 1939 pelo crítico literário
Alceu Amoroso Lima, também conhecido por seu pseudônimo Tristão de Ataíde. Essa
nomenclatura indica uma ligação indissociável da produção escrita do período ao
modernismo. De fato, na produção pré-modernista, podem ser encontrados
procedimentos literários que, de certa maneira, anteciparam o que seria adotado
pelo modernismo, como o nacionalismo crítico e a valorização da linguagem
coloquial. Por outro lado, essas características não estão presentes em todas as
obras, nem aparecem de maneira homogênea. Ainda assim, é importante perceber que
a grande ruptura promovida pelo modernismo não nasceu repentinamente, mas foi
fruto de um processo de mudanças que já estava em curso. Acesse também: Cora
Coralina – poeta goiana que não se associou a nenhum movimento literário
Exercícios resolvidos Questão 1 – (UEL-PR) Nas duas primeiras décadas de nosso
século, as obras de Euclides da Cunha e de Lima Barreto, tão diferentes entre
si, têm como elemento comum: A) a intenção de retratar o Brasil de modo otimista
e idealizante. B) a adoção da linguagem coloquial das camadas populares do
sertão. C) a expressão de aspectos até então negligenciados da realidade
brasileira. D) a prática de um experimentalismo linguístico radical. E) o estilo
conservador do antigo regionalismo romântico. Resolução Alternativa C. Os
autores do período pré-moderno não percebiam a realidade brasileira de modo
otimista, mas voltaram seus olhares para aspectos da miséria e disparidade
social negligenciados pela comunicação oficial da República e também pelos
parnasianos. Tampouco promoveram um experimento linguístico radical ou
retornaram ao estilo conservador do regionalismo romântico. Embora Euclides da
Cunha tenha inserido, em sua obra Os Sertões, muito do linguajar popular
sertanejo, o livro não foi escrito em linguagem coloquial – e Lima Barreto não
incorpora em suas obras esses elementos. Modernismo O modernismo é um estilo de
época surgido no início do século XX, em um contexto de tensão política entre as
grandes potências europeias, o que levou a duas guerras mundiais. Nesse período,
ocorreram também descobertas e inovações tecnocientíficas que passaram a
caracterizar a vida moderna. Já no Brasil, a República Velha (1889-1930) chegava
ao fim para dar início à Era Vargas (1930-1945). Esse estilo de época é
caracterizado pelo seu caráter transgressor, antiacadêmico e nacionalista. No
Brasil, ele é dividido em três fases distintas, que, juntas, englobam o período
de 1922 a 1978. Conta com autores como Oswald de Andrade, Carlos Drummond de
Andrade, Graciliano Ramos, Ferreira Gullar e Clarice Lispector. Já em Portugal,
o maior nome do modernismo é Fernando Pessoa. Leia também: Parnasianismo –
movimento literário anterior ao modernismo Contexto histórico do modernismo Na
Europa, a expansão imperialista, iniciada no século XIX, marcada pela exploração
de países subdesenvolvidos e pela disputa entre as grandes potências, levou à
corrida armamentista e à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após esse
conflito, os movimentos nacionalistas intensificaram-se, levando ao
fortalecimento do nazismo e do fascismo, o que culminou na Segunda Guerra
Mundial (1939-1945). No campo científico, Albert Einstein (1879-1955) divulgou a
sua teoria da relatividade, em 1905, enquanto Sigmund Freud (1856-1939) colocava
o inconsciente em discussão e forjava as bases da psicanálise. Além disso, as
inovações tecnológicas passavam a fazer parte da vida das pessoas, as máquinas e
a velocidade tornavam-se símbolos da vida moderna. Nesse contexto, os artistas
sentiram-se inspirados a criar uma “nova arte”, radical e crítica da tradição
acadêmica. Assim, surgiram os movimentos de vanguarda na Europa. No Brasil, a
República Velha chegava ao seu fim com os movimentos tenentistas no início da
década de 1920, comandados por militares descontentes com o governo. Em 1924, a
Coluna Prestes, de viés comunista, liderada por Luís Carlos Prestes (1898-1990),
iniciava sua marcha, que durou dois anos, para convocar o povo a revoltar-se
contra as elites. Comando da Coluna Prestes, provavelmente em 1925. Em 1929,
houve a quebra da Bolsa de Nova Iorque, o que prejudicou a economia brasileira,
baseada na exportação de café. No ano seguinte, quando Getúlio Vargas
(1882-1954) perdeu as eleições para Júlio Prestes (1882-1946), supostamente
devido a uma fraude, o presidente Washington Luís (1869-1957) foi deposto por um
golpe de estado, e Vargas tomou posse provisoriamente. Contudo, era o início da
Era Vargas, que duraria até 1945. Características do modernismo Em linhas
gerais, o modernismo apresenta a seguintes características: • Antiacademicismo •
Experimentalismo • Crítica à tradição • Nacionalismo • Desconstrução • Renovação
estética • Fragmentação • Liberdade formal • Liberdade de criação • Espírito
anárquico • Temática sociopolítica Leia também: Pré-modernismo – aspectos
literários do início do século XX Modernismo no Brasil Cecília Meireles, poetisa
da segunda fase do modernismo brasileiro. • Primeira geração modernista
(1922-1930) Tem início com a Semana de Arte Moderna, em 1922, e possui as
seguintes características: • Releitura crítica dos símbolos da nacionalidade •
Liberdade de criação • Antiacademicismo • Liberdade formal • Ironia •
Aproximação entre fala e escrita • Releitura do passado histórico • Regionalismo
• Nacionalismo crítico → Principais autores e obras • Oswald de Andrade
(1890-1954): Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e Pau-brasil (1925) •
Mário de Andrade (1893-1945): Pauliceia desvairada (1922) e Macunaíma (1928) •
Manuel Bandeira (1886-1968): Libertinagem (1930) Para saber mais sobre essa fase
do modernismo no Brasil, leia: Modernismo – primeira fase literária. • Segunda
geração modernista (1930-1945) Apresenta as seguintes características: • O mundo
contemporâneo • O sentido existencial • Conflito espiritual • Sociopolítica •
Liberdade formal → Principais autores e obras • Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987): Alguma poesia (1930) e A rosa do povo (1945) • Vinicius de Moraes
(1913-1980): Novos poemas (1938) • Cecília Meireles (1901-1964): Romanceiro da
Inconfidência (1953) • Jorge de Lima (1893-1953): Poemas negros (1947) • Murilo
Mendes (1901-1975): História do Brasil (1932) e O visionário (1941) Leia mais
sobre a produção poética desse período em: Poesia na segunda geração do
modernismo. • Romance de 1930 Engloba narrativas publicadas entre 1930 e 1945, é
assim caracterizado: • Neorregionalista • Neorrealista • Determinista • Enredos
dinâmicos • Uso de linguagem simples • Apresentação da “cor local” → Principais
autores e obras • Rachel de Queiroz (1910-2003): O quinze (1930) • Erico
Verissimo (1905-1975): O tempo e o vento (1949-1961) • Graciliano Ramos
(1892-1953): Vidas secas (1938) e Memórias do cárcere (1953) • José Lins do Rego
(1901-1957): Menino de engenho (1932) • Jorge Amado (1912-2001): Capitães de
areia (1937) e O cavaleiro da esperança (1942) Para saber mais sobre essa fase
também conhecida como neorrealismo, acesse o nosso texto: Modernismo – segunda
fase literária – prosa. Vidas secas, de Graciliano Ramos, é um dos mais famosos
romances de 30. [1] A terceira geração modernista (ou pós-modernismo), que
compreende as produções literárias realizadas entre 1945 e 1978, pode ser assim
dividida: • Poesia da geração de 1945 • Volta do rigor formal • Preocupação com
a materialidade do texto poético: ritmo e espaço • Valorização da construção do
poema: racional e planejada • Ampliação do poder de significação da palavra e do
texto • Temas sociais, morais e políticos → Principais autores e obras • João
Cabral de Melo Neto (1920-1999): Morte e vida severina (1955) • Ferreira Gullar
(1930-2016): Poema sujo (1976) • Concretismo • Experimentalismo • Foco no espaço
• Ruptura radical com a poesia intimista • Aspecto verbivocovisual: semântico,
sonoro e visual • Multiplicação das possibilidades de leitura → Principais
autores e obras • Décio Pignatari (1927-2012): Poesia pois é poesia (1977) •
Haroldo de Campos (1929-2003): Galáxias (1984) • Augusto de Campos: Viva vaia
(1979) Para aprender mais sobre essa estética experimental, leia: Concretismo. •
Prosa da terceira geração modernista ou do pós-modernismo • Liberdade e
experimentação com a linguagem • Não convencionalismo • Temática do particular
em diálogo com o universal • Fluxo de consciência • Fragmentação • Metalinguagem
→ Principais autores e obras • Clarice Lispector (1920-1977): A hora da estrela
(1977) • João Guimarães Rosa (1908-1967): Grande sertão: veredas (1956) Conheça
melhor as características e os autores desse período do modernismo em: Prosa do
pós-modernismo. Resumo • Contexto histórico: o Europa: Imperialismo Primeira
Guerra Mundial Segunda Guerra Mundial • Brasil: o República Velha o Era Vargas
• Características: o Antiacademicismo o Experimentalismo o Crítica à tradição o
Nacionalismo o Desconstrução o Renovação estética o Fragmentação o Liberdade
formal o Liberdade de criação o Espírito anárquico o Temática sociopolítica • •
Brasil: o Oswald de Andrade: Memórias sentimentais de João Miramar e Pau-brasil
o Mário de Andrade: Pauliceia desvairada e Macunaíma o Manuel Bandeira:
Libertinagem o Carlos Drummond de Andrade: Alguma poesia e A rosa do povo o
Vinicius de Moraes: Novos poemas o Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência
o Jorge de Lima: Poemas negros o Murilo Mendes: História do Brasil e O
visionário o Rachel de Queiroz: O quinze o Erico Verissimo: O tempo e o vento o
Graciliano Ramos: Vidas secas e Memórias do cárcere o José Lins do Rego: Menino
de engenho o Jorge Amado: Capitães da areia e O cavaleiro da esperança o João
Cabral de Melo Neto: Morte e vida severina o Ferreira Gullar: Poema sujo o Décio
Pignatari: Poesia pois é poesia o Haroldo de Campos: Galáxias o Augusto de
Campos: Viva vaia o Clarice Lispector: A hora da estrela o João Guimarães Rosa:
Grande sertão: veredas • Modernismo no Brasil: o Primeira geração: 1922-1930 o
Segunda geração: 1930-1945 o Terceira geração ou pós-modernismo: 1945-1978
Poesia na Segunda Geração do Modernismo A poesia na Segunda Geração do
Modernismo apresentou à Literatura nomes como Carlos Drummond de Andrade, Mario
Quintana, Murilo Mendes e Cecília Meireles. Drummond, Mario Quintana, Murilo
Mendes, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes: poetas que ampliaram o horizonte
da poesia na Literatura brasileira.* A Semana de Arte Moderna, realizada em São
Paulo no ano de 1922, foi um divisor de águas para a Literatura brasileira.
Apresentou, entre outros representantes das diversas áreas da arte, alguns dos
expoentes da Literatura modernista que romperiam drasticamente com o modelo
literário vigente. Nomes como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de
Almeida e Mário de Andrade exaltaram o Brasil na página literária e utilizaram à
exaustão jogos primitivistas e antropofágicos. Em sua segunda fase, entre os
anos de 1930 a 1945, a poesia modernista alargou seus horizontes temáticos e
consolidou-se graças às conquistas de seus precursores. A segunda geração foi
marcada pelo amadurecimento e pela ruptura com a fase polêmica de suas primeiras
manifestações. A poesia continuou adotando o verso livre, mas resgatou também
formas como o soneto ou o madrigal sem que isso fosse necessariamente um retorno
às estéticas do passado, tão questionadas pelos poetas que ganharam projeção na
Semana de Arte Moderna. Soneto de Fidelidade De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele
se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu
louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu
pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a
morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me
dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja
infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes A rua dos cataventos Da vez primeira
em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada
vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha. Hoje, dos meu cadáveres
eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou. Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada! Pois
dessa mão avaramente adunca Não haverão de arracar a luz sagrada! Aves da noite!
Asas do horror! Voejai! Que a luz trêmula e triste como um ai, A luz de um morto
não se apaga nunca! Mario Quintana A poesia estava em sintonia com as diversas
manifestações artísticas e com outras esferas culturais e, por esse motivo, é
possível encontrar influências do Surrealismo e até mesmo da psicanálise, que
dilataram o campo de experimentações poéticas. Podemos observar essa
característica nos versos do poema “O Pastor Pianista”, de Murilo Mendes: O
Pastor Pianista Soltaram os pianos na planície deserta Onde as sombras dos
pássaros vêm beber. Eu sou o pastor pianista, Vejo ao longe com alegria meus
pianos Recortarem os vultos monumentais Contra a lua. Acompanhado pelas rosas
migradoras Apascento os pianos: gritam E transmitem o antigo clamor do homem Que
reclamando a contemplação, Sonha e provoca a harmonia, Trabalha mesmo à força, E
pelo vento nas folhagens, Pelos planetas, pelo andar das mulheres, Pelo amor e
seus contrastes, Comunica-se com os deuses. Murilo Mendes Quanto à temática da
poesia modernista da segunda fase, podemos observar a preocupação dos poetas não
apenas com a abordagem do cotidiano, bastante denotada naquilo que alguns
estudiosos chamaram de “momento poético”, mas também com problemas sociais e
históricos. Drummond apropriou-se dessas características, que podem ser
observadas no poema “Congresso Internacional do Medo”. Congresso Internacional
do Medo Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos
subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o
ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso
companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos
soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e
medrosas. Carlos Drummond de Andrade Outra característica presente nesse momento
da poesia modernista foi a retomada de elementos simbolistas, sem que isso,
novamente, representasse um amplo resgate da produção literária pré-modernista.
Essa apropriação de elementos de outras vertentes da Literatura aconteceu em
virtude de um alargamento do campo temático, que contemplava aspectos sociais e
inquietações religiosas. Depois do sol... Fez-se noite com tal mistério, Tão sem
rumor, tão devagar, Que o crepúsculo é como um luar Iluminando um cemitério . .
. Tudo imóvel . . . Serenidades . . . Que tristeza, nos sonhos meus! E quanto
choro e quanto adeus Neste mar de infelicidades! Oh! Paisagens minhas de antanho
. . . Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . . — As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho . . . Seres e coisas vão-se embora . . . E, na auréola
triste do luar, Anda a lua, tão devagar, Que parece Nossa Senhora Pelos
silêncios a sonhar... Cecília Meireles Os poetas da segunda geração do
modernismo deram continuidade às conquistas dos primeiros modernistas e criaram
novas possibilidades temáticas, perpetuando a nova concepção de Literatura
defendida por seus antecessores e levando adiante o projeto de liberdade de
expressão que possibilitou até mesmo uma revisitação da Literatura clássica.
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